Vaticano

Bispos da UE lamentam orientações da Comissão Europeia em relação às células embrionárias

Octávio Carmo
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Os bispos católicos lamentaram «profundamente» as orientações da comissão Europeia publicadas no passado dia 10 de Julho, onde se apresenta a proposta de financiar com fundos comunitários projectos de pesquisa com células mãe de embriões humanos concebidos antes de 27 de Junho de 2002. Em comunicado de imprensa publicado esse mesmo dia, a Comissão de Episcopados da Comunidade Europeia (Comece) recorda que «estas pesquisas propõem problemas morais fundamentais pois implicam a destruição de embriões humanos». Por este motivo, recorda o comunicado, «são proibidas em alguns Estados membros». «Pensamos sobretudo que a vida humana tem um valor intrínseco e absoluto em todas as etapas de seu desenvolvimento e não deverá ser em nenhum caso utilizada como “matéria prima”. Um bom fim não justifica o uso de qualquer meio», acusa o texto episcopal. «Se bem que esta medida esteja orientada para assegurar que embriões humanos não sejam criados com fins de pesquisa, o que é apreciável, não resolve a importante questão ética”, acrescenta. A COMECE lamenta a intromissão da Comissão Europeia na autonomia de todos os países: «agora todos os Estados membros, incluindo aqueles nos quais este tipo de pesquisa é proibida, contribuem para o Orçamento comunitário e serão, de facto, convidados a sustentar estas pesquisas financeiramente». «A partir de nosso ponto de vista, o princípio de subsidiariedade exige que as decisões que se referem ao apoio financeiro das pesquisas que suscitam importantes problemas morais devam ser tomadas pelos Estados membros individualmente», explica. Os Bispos europeus destacam que as decisões dos seus países neste campo derivam de experiências históricas, orientações filosóficas e religiosas. “Tendo em vista as diferenças entre os Estados membros no que se refere à investigação com células mães embrionárias humanas, a União deveria renunciar a um financiamento comum destes projectos de investigação”, defende o comunicado. As orientações éticas propostas pela comissão devem ser estudadas agora pelo Parlamento Europeu, que poderá oferecer o seu parecer, antes que sejam confiadas ao Conselho de Ministros para que tome uma decisão antes do fim do ano. «Esperamos que o Conselho de Ministros decida não concordar com o financiamento comunitário para as pesquisas com embriões humanos e com células mães embrionárias humanas», conclui o comunicado da Comece.


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