Vaticano

Bispos suíços reagem a polémica sobre a ordenação de mulheres

Octávio Carmo
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A Conferência Episcopal Suíça (SBK) rejeitou o pedido do Sínodo católico de Lucerna para um parecer favorável à ordenação de mulheres e à abolição da obrigação do celibato sacerdotal. Numa declaração de cinco páginas, a SBK escreve que “a decisão corresponde à Igreja universal”, referindo-se a ambos os casos. Ao tempo, a conferência episcopal impôs sanções disciplinares ao Sínodo por ter ultrapassado as suas competências com estas pretensões. No que se refere à ordenação de “viri probati”, ou seja, homens com uma sólida vida familiar, e um compromisso maduro na vida social e na Igreja, a SBK recordaque os últimos Papas, entre eles João Paulo II, atribuíram um “eminente significado ao celibato”. A questão da ordenação de mulheres é muito diferente, declaram os bispos, pois “a Igreja e o Papa não têm nenhuma autoridade para introduzir esta mudança, oposta às intenções do próprio Jesus”. Segundo os bispos, o sacerdócio é um sacramento, e não há nenhum direito na questão da ordenação de sacerdotes, nem sequer para o homem. “Por isso, a questão das mulheres não pode reduzir-se a uma questão de igualdade de oportunidades ou de direitos humanos”, escrevem. O documento dos bispos põe em dúvida a licitude das propostas do Sínodo de Lucerna, pois “não afectam a atenção das almas, mas a prática da fé da Igreja mundial”. Paula Beck, autora da iniciativa promovida pelo Sínodo, provocou, de acordo com o episcopado suíço, um comportamento cismático e cometeu uma grave infracção da constituição da Igreja local, pois exortou as comunidades eclesiais a “ir contra o bispo”. A SBK pediu ao Sínodo de Lucerna uma explicação sobre as posições públicas tomadas pela autora da iniciativa.


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