A nova presidência da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) reuniu-se na semana passada com Hugo Chávez, presidente da Venezuela, para “iniciar um diálogo que melhore as relações Igreja-Estado”.
A CEV foi acusada várias vezes pelo presidente Chávez de estar ao serviço da oposição, por causa das críticas feitas a opções políticas concretas, e a polémica ganhou uma particular dimensão no confronto com o Cardeal Castillo Lara, presidente emérito da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano e uma das figuras mais respeitadas da Igreja Católica no seu país, distinguido-se pela sua preocupação relativamente à solidificação da democracia na Venezuela, que considera ameaçada pelas “intenções ditatoriais” de Chávez.
Perante o presidente venezuelano, os Bispos locais pediram “liberdade” para continuar a exercer a sua missão, “mantendo a nossa autonomia e independência crítica”.
Na mensagem final da sua última assembleia plenária, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) sublinhava “a incerteza do futuro democrático, em função dos problemas políticos”. A título de exemplo, os prelados aludiram à “forte abstenção” de 75% que marcou as últimas eleições, em Dezembro passado, boicotadas pela oposição.
Num momento em que a Venezuela tem um parlamento com uma única orientação política e as forças da oposição andam à procura de rumo, a CEV não esconde as suas “inquietações”, que manifestou ao próprio Hugo Chávez, a quem pediu respeito “pelos Bispos e pela figura de Jesus Cristo”.