Vaticano

Bósnia não superou feridas da guerra

Octávio Carmo
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Bispos do país recebidos por Bento XVI no Vaticano

O Cardeal Vinko Puljic, Arcebispo de Sarajevo, afirmou ontem em Roma que “a guerra continua na Bósnia-Herzegovina, mas com outros meios”. O Cardeal e os outros prelados católicos do país foram hoje recebidos no Vaticano, por Bento XVI, por ocasião da visita ad Limina. Analisando os 10 anos que se passaram sobre a Conferência de Dayton, o Cardeal Puljic disse aos jornalistas que “foi criado um ordenamento injusto e estruturalmente insustentável”. O Arcebispo de Sarajevo adiantou o seu propósito de pedir ao Papa “uma pressão da Santa Sé sobre a comunidade internacional, para que sejam adoptadas as mesmas medidas para todas as comunidades religiosas do país”. O Cardeal Puljic considera que o actual sistema beneficia “muçulmanos e ortodoxos”. D. Franjo Komarica, Bispo de Banja Luka, deixa um alerta: “O actual ordenamento, segundo o qual os três povos da região – bósnios, sérvios e croatas – são colocados em duas entidades políticas, legitimou a lei do mais forte, prejudicando os croatas, na sua maioria católicos”. Para o Bispo auxiliar de Sarajevo, D. Pero Sudar, apenas será possível construir um país “democrático e justo” com a revisão de Dayton “e com a instituição de um Estado verdadeiramente multiétnico e multireligioso, superando as actuais divisões”.


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