O respeitado cardeal Joachim Meisner, arcebispo de Colónia, explicou que a decisão de não permitir a distribuição da comunhão aos não-católicos não é um capricho dos bispos ou do Papa.
“A Eucaristia não é uma prática mágica, que nos dispensaria da necessidade de uma reconciliação entre os cristãos”, declara o cardeal na página Web da arquidiocese de Colónia.
O texto de D. Meisner responde ao questionamento de uma pessoa que pediu, por meio de uma carta, que fosse estabelecida a “comunhão aberta para os não-católicos”.
“Em primeiro lugar temos de distinguir realmente, no âmbito do diálogo ecuménico, todas as diferenças que nos separam. Só depois poderemos conceder-nos o dom da especial comunhão eucarística”, revela.
A carta recebida pelo cardeal Meisner afirmava que “a Eucaristia não deve ser obrigatoriamente o sinal de uma unidade alcançada, mas muito mais, pois como sacramento pode levar também à unidade”.
Na sua resposta, o cardeal reconhece que experimenta “sentimentos opostos” ao ler uma carta assim. Por um lado, expressa sua satisfação ao comprovar o compromisso ecuménico e o desejo pela unidade dos cristãos, mas confessa que se sente “surpreendido” perante mais uma nova prova “da visível falta de conhecimento da fé católica”.
Culpados dessa confusão, segundo o prelado, são os sacerdotes, que, nas Jornadas Eclesiais Ecuménicas («Oekumenischer Kirchentag»), celebradas em Berlim de 28 de Maio a 1 de Junho de 2003, distribuíram a comunhão a não-católicos no decorrer de uma Missa.
O purpurado afirma que esses sacerdotes, ao actuarem segundo o seu parecer e contra o direito eclesial, “não promoveram a comunhão eclesial”.
O cardeal explica que a única excepção à regra foi exposta por João Paulo II, na encíclica Ecclesia de Eucharistia (n. 45), onde de admite a possibilidade de administrar o sacramento da comunhão “em circunstâncias especiais, a pessoas pertencentes a Igrejas ou a Comunidades eclesiais que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica”.
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