Homilia do funeral de Estado pelas vítimas do 11 de Março alerta para os ataques às bases morais e espirituais da nossa civilização
O cardeal Rouco Varela, arcebispo de Madrid, condenou hoje a “estratégia do ódio” que está por trás dos actos terroristas como o de 11 de Março passado, alertando os espanhóis para o perigo desta estratégia minar “as bases morais e espirituais da nossa sociedade e nação de raízes cristãs”.
“Os terroristas propuseram-se atacar e destruir profundamente a convivência, a concórdia e a paz dos espanhóis e avançar na prossecução de um dos seus mais importantes objectivos, que é minar progressiva e velozmente as bases morais e espirituais sobre as quais se baseia a nossa sociedade”, afirmou o líder da Igreja Católica em Madrid, durante a homilia do funeral de Estado pelas vítimas dos atentados na capital espanhola.
A Catedral de Almudena vestiu-se de luto para lembrar os 202 mortos e mais de 1500 feridos que os atentados do dia 11 de Março deixaram atrás de si. D. Rouco Varela assegurou aos familiares das vítimas que “a vossa dor é a dor de Madrid, da Espanha e do mundo inteiro”.
“Perante a estratégia do ódio, a única resposta eficaz é a do amor”, vincou.
Apesar do apelo ao perdão e à esperança, o cardeal quis deixar claro que o destino dos terroristas “é a morte eterna”, citando um versículo da I carta de São João.
“A estratégia do terrorismo semeia sempre o ódio como motivação e inspiração última das suas acções, como aconteceu no massacre de 11 de Março. O modo de organizar, dispor e agir dos terroristas pode ser definido como uma estratégia do ódio que transporta nas suas entranhas o homicídio e a morte”, acusou.
O prelado condenou ainda todas as formas de “nacionalismo exasperado, racismo e intolerância”, deixando uma palavra final aos jovens espanhóis, para que respondam à violência cega e ao ódio “com o poder fascinante do amor”.
Antes da bênção final, o cardeal Rouco agradeceu ao Papa pela “especial intensidade e proximidade com que rezou e reza por nós”. Os agradecimentos estenderam-se ainda aos bispos e conferências episcopais que se manifestaram solidários com a Igreja espanhola.
“Não esqueceremos facilmente esta jornada de verdadeira fraternidade e de apoio, perante a adversidade”, rematou.