Vaticano

Cardeal Kasper optimista quanto ao diálogo com o Islão

Octávio Carmo
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O Cardeal Walter Kasper manifestou o seu optimismo quanto a eventuais progressos no diálogo com o Islão. O membro da Cúria Romana disse em entrevista concedida à Reuters que Bento XVI aproveitará a sua visita deste ano à Turquia, um país maioritariamente islâmico, para promover este encontro entre o Ocidente e o mundo islâmico. "Esse é um dos maiores problemas dos dias de hoje, estabelecer uma relação com o Islão que não seja um choque de civilizações, mas um diálogo entre as civilizações", afirmou D. Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos. "Claro que ninguém deseja um choque de culturas. Seria algo desastroso para o mundo todo", disse o Cardeal. O Papa deve visitar o território turco entre os dias 28 e 30 de Novembro, a convite do governo local e do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla. "Há muitas questões difíceis e profundas que temos de resolver com o Islão, mas também temos de nos lembrar dos tempos de boas relações. Houve influências positivas do Islão, também no Cristianismo", afirmou o Cardeal Kasper. O diálogo entre a Igreja Católica e o Islão foi um dos temas em destaque no encontro dos Cardeais com Bento XVI, no Vaticano. No final da reunião, o cardeal português D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, disse aos jornalistas que o diálogo com o Islão é “uma obrigação para a Igreja Católica”. Este momento de reflexão decorreu à porta fechada e a Santa Sé limitou-se a informar que este tema foi desenvolvido pelo Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado, apresentando “a posição da Igreja Católica, e da Santa Sé em particular, perante o Islão, hoje”. Para D. Walter Kasper, "temos de tentar aprofundar nosso diálogo com o Islão, especialmente com as forças moderadas do Islão, a fim de atingirmos uma relação positiva e amigável". Na entrevista, o Cardeal Kasper admitiu ainda que uma visita do Papa a Moscovo pode acontecer nos próximos anos, realçando que apesar da evolução muito positiva das relações entre as duas Igrejas nos últimos tempos, ainda há alguns problemas para resolver.


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