O responsável da Santa Sé pelo diálogo com as Igrejas cristãs reconheceu ontem que o ecumenismo tem avançado mais lentamente, nos últimos anos, “por causa de problemas de identidade de comunidades cristãs que conduziram ao relativismo”.
O cardeal Walter Kasper falava durante a sua investidura como doutor “honoris causa” pela Universidade Pontifícia de Comillas, na Espanha.
O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos assegura que “a questão da identidade é proposta dentro das Igrejas cristãs, onde uma compreensão errada do ecumenismo conduziu, em certas ocasiões, ao relativismo e ao indiferentismo”.
“Só os parceiros com uma identidade definida podem empreender um diálogo, sem medo de perder nele a sua identidade”, acrescentou.
Após as mudanças políticas que se produziram na Europa Central e Oriental nos anos 1989-1990, as relações com as Igrejas ortodoxas tornaram-se ainda mais difíceis, reconhece o Cardeal Kasper. Sobre o estado do caminho ecuménico com as Igrejas orientais, o responsável da Santa Sé indicou que “podemos comprovar que somos muito próximos uns dos outros na fé e na vida sacramental, mas temos dificuldades para entender-nos em nível de cultura e de mentalidade”.
Em referência às relações com as Igrejas de tradição da Reforma, o Cardeal alemão indica que “o mundo protestante e anglicano está profundamente dividido sobre a questão de problemas éticos debatidos em nossa cultura ocidental: o aborto, a homossexualidade, a eutanásia e outros”.
“Tudo isto gera uma nova divergência que torna mais difícil e, em certas ocasiões, impossível, oferecer o testemunho comum de que o mundo tanto necessita”, declarou.