Um compromisso comum em favor da justiça e da caridade foi o resultado final da 18ª reunião do Comité Internacional de ligação entre católicos e judeus, celebrada em Buenos Aires na semana passada.
“Dada a dimensão global da pobreza, da injustiça e da discriminação, temos uma clara obrigação religiosa de mostrar preocupação pelos pobres e pelos que foram privados de seus direitos políticos, sociais e culturais”, afirma a declaração conjunta que encerrou o evento.
No texto assume-se ainda o compromisso da luta contra o terrorismo, considerado “um pecado contra o homem e contra Deus”.
Após constatar as grandes mudanças que a relação entre católicos e judeus experimentou desde a declaração “Nostra aetate” do Concílio Vaticano II, em 1965, o texto rende tributo a João XXIII, por “iniciar este caminho fundamental nas relações católico-judaicas”.
“Este diálogo fraterno gerou um entendimento e respeito mútuo. Esperamos chegar a círculos cada vez mais amplos e tocar as mentes e corações de católicos e judeus, como também a comunidade toda”, refere o documento.
Os participantes reconheceram a necessidade de encontrar uma solução para alguns grandes desafios: a crescente disparidade económica entre os povos, a grande devastação ecológica, os aspectos negativos da globalização e a urgência de trabalhar pela paz e a reconciliação.
A declaração sublinha a total rejeição ao anti-semitismo em todas suas manifestações e deplora o fenómeno do anti-catolicismo em todas as suas formas.
“Comprometemo-nos pôr em prática e difundir as promessas mútuas que fizemos em Buenos Aires nas nossas próprias comunidades, de modo que o trabalho pela justiça e a caridade nos permita alcançar o maior dom: a paz”, conclui a declaração conjunta.