Vaticano

Católicos saíram à rua contra reforma educativa de Zapatero

Agência Ecclesia
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Centenas de milhar de pessoas encheram este sábado as principais ruas de Madrid, numa manifestação de protesto contra o processo de reforma educativa em Espanha. A iniciativa foi organizada por dezenas de organizações católicas, incluindo a Confederação Católica de Pais e o Fórum da Família, contando com o apoio institucional da Conferência Episcopal Espanhola. A marcha era encabeçada por um cartaz que dizia "não à LOE (Lei Orgânica da Educação)" e que defendia "uma educação em liberdade". Outros cartazes diziam “Eu não quero que Zapatero me eduque”, “A família, unida, jamais será vencida”, e “Bispos, sede valentes, não estais sós”. O manifesto “Por uma educação de qualidade em liberdade”, lido no final da manifestação, assegura que a reforma educativa promovida pelo governo socialista, “viola os direitos e liberdades que, em matéria educativa, reconhece a Constituição” espanhola. Os manifestantes insistiram no direito dos pais a decidir sobre o tipo de educação que querem para os seus filhos, no direito ao ensino gratuito nos níveis básicos e obrigatórios, bem como no direito dos pais de escolher qualquer centro educativo, sem distinção entre público e privado. “Afirmamos que a educação é responsabilidade e direito dos pais, e que o Estado só tem uma função subsidiária. Os poderes públicos não têm o direito de educar os cidadãos, mas têm de assegurar a liberdade dos pais para decidir o tipo de ensino que desejam, sem outros limites que os constitucionais”, refere o documento. O texto considera ainda que o ensino da religião "ficará marginalizado" se o diploma avançar. O governo rejeita os argumentos afirmando que a lei é "ambiciosa" e que mantém os elementos essenciais do diploma educativo do período do governo popular, nomeadamente a obrigatoriedade da oferta da religião católica nos centros públicos, sendo que a sua frequência é facultativa. O primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, já anunciou que vai reunir-se "proximamente" com os organizadores do protesto de sábado em Madrid contra as reformas à Lei Orgânica da Educação (LOE). A Confederação Católica de Pais e as organizações sindicais, estudantis e patronais tinham tentado, sem êxito, entregar ao chefe do executivo espanhol mais de 3,2 milhões de assinaturas, recolhidas numa campanha em favor do ensino de uma disciplina de religião, confessional, avaliável e computável para todos os efeitos. O presidente da Confederação, Luis Carbonel, manifestou-se “decepcionado” com Zapatero e lembrou que 80% dos pais matricula os seus filhos em religião, pelo que “não podem ter menos direitos do que a minoria”.


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