Vaticano

China trava aproximação ao Vaticano

Agência Ecclesia
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A “Associação Patriótica Católica” (APC) da China lançou uma campanha nacional para reafirmar o controlo sobre a Igreja “oficial”, considerada demasiado próxima de Roma, alerta a agência católica AsiaNews, dirigida pelo padre Bernardo Cervellera, especialista no mundo chinês. Fontes da mencionada agência do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (PIME) confirmaram que o secretário-geral da APC, Liu Bainian, organizou encontros com sacerdotes das dioceses de Sichuan e de Guangdong para recordar-lhes que devem lealdade à China, não ao Vaticano, em particular quando se trata da eleição dos candidatos ao episcopado. No contexto dessa campanha poderia ser entendido o veto da APC à possível viagem a Roma dos quatro prelados chineses convidados por Bento XVI para tomar parte no Sínodo, actualmente em curso. Neste momento, os lugares desses prelados na aula sinodal permanecem vazios e os seus votos electrónicos aparecem sempre como não emitidos. Em meses passados, as nomeações do bispo auxiliar de Xangai e do bispo coadjutor de Xian aconteceram com a designação e a eleição do candidato da Santa Sé, tacitamente aceite pelo governo chinês. Esse sinal de esperança, porém, foi desmentido pela APC, que reivindicou a autonomia da decisão. Segundo os estatutos da APC, o bispo deve ser eleito pelos sacerdotes e representantes da comunidade diocesana e deve perseguir as “três autonomias” (de gestão, financeira e de organização), permanecendo independente da Santa Sé. O governo comunista da China considerou “uma falta de respeito” o convite endereçado por Bento XVI a quatro Bispos chineses - três Bispos da Igreja Patriótica (controlada pelo Partido Comunista) e um da Igreja Clandestina (fiel ao Papa) – para participarem no próximo Sínodo dos Bispos, em Outubro. Em 1998 o governo comunista negou permissão de viagem a dois Bispos "patrióticos" convidados por João Paulo II para participar no Sínodo da Ásia. O governo chinês cortou relações com o Vaticano em 1951, dois anos após a subida do Partido Comunista ao poder. A Santa Sé mudou então a sede de Pequim para Taipé e é um dos 25 países do mundo que mantém relações diplomáticas com Taiwan, em detrimento da China. O convite de Bento XVI fora o último dos vários sinais demonstrativos da intenção do Papa em aproximar-se do gigante asiático. A Igreja clandestina na China, fiel ao Papa, é formada por católicos que não aceitam o controlo exercido pelo governo comunista. Embora o Partido Comunista Chinês se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais, entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica “clandestina” conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos. Vários contactos informais têm sido desenvolvidos desde que Bento XVI sucedeu a João Paulo II, fazendo do estabelecimento de relações diplomáticas com a China uma das suas prioridades. A APC, contudo, vê esses novos elementos de diálogo entre a China e o Vaticano como um perigo para a organização. Redacção/Zenit


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