Europa precisa de redescobrir as suas raízes cristãs
Bento XVI lembrou hoje, no Vaticano, que o compromisso ecuménico é prioritário para todas as Igrejas e Comunidades eclesiais na Europa e no mundo. Esse compromisso implica “trabalhar sem poupança de energias pela reconstituição da plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo”.
O Papa recebeu em audiência os 150 delegados de Igrejas cristãs, Conferências Episcopais, organismos e movimentos ecuménicos da Europa que preparam, em Roma, a III Assembleia Ecuménica Europeia (AEE3).
Falando de uma “peregrinação ecuménica”, que parte, significativamente, da cidade de Roma, Bento XVI assinalou que a verdadeira prioridade para a Europa é “empenhar-se para que a luz de Cristo resplandeça e ilumine com renovado vigor os passos do Continente, no início do terceiro milénio”.
“Desejo que cada etapa desta peregrinação seja assinalada pela luz de Cristo e que a próximo Assembleia Ecuménica Europeia possa contribuir para tornar os cristãos dos nossos países cada vez mais conscientes do dever de testemunhar a sua fé”, acrescentou.
O Papa admitiu que esse testemunho é particularmente difícil “num contexto cultural marcado, muitas vezes, pelo relativismo e pela indiferença”.
Raízes cristãs
Para Bento XVI, “a Europa tem necessidade de redescobrir as suas raízes cristãs”, pelo que é indispensável “uma presença incisiva e iluminadora” de todos os que acreditam em Jesus Cristo, num caminho de “reconciliação e unidade”.
Numa referência ao processo de reunificação do Velho Continente, o Papa assegurou que este movimento apenas dará frutos se “a Europa redescobrir as suas raízes cristãs, dando espaço aos valores éticos que fazem parte do seu vasto e consolidado património espiritual”.
Nesse sentido, referiu, é obrigação dos “discípulos de Cristo” ajudar esta Europa a “tomar consciência desta peculiar responsabilidade no conjunto dos povos”.
Bento XVI considera que, após a queda do muro, que dividia os países do Leste e do Ocidente, é mais fácil o encontro entre os povos”, pelo que é necessário perceber “a urgência de enfrentar, unidos, os desafios deste momento”.
“A experiência demonstra amplamente que o diálogo sincero e fraterno gera confiança, elimina os medos e os preconceitos, diminui as dificuldades e abre ao encontro sereno e construtivo”, concluiu.
AEE3
De 24 a 27 de Janeiro, estes representantes começam, em Roma, o processo que culminará na AEE3, organizada pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE, 34 organismos episcopais católicos), e pela Conferência das Igrejas Europeias (KEK, 150 Igrejas ortodoxas, protestantes, anglicanas e vetero-católicas), sobre o tema “A Luz de Cristo ilumina todos. Esperança de renovação e unidade na Europa”.
A AEE3 pretende prosseguir, de forma renovada, a tradição iniciada em Basileia (1989) e Graz (1997). Desta vez, contudo, a assembleia não é um único evento, mas consiste num processo que atravessa quatro etapas.
A primeira e a terceira etapa irão decorrer em Roma (24-27 de Janeiro) e em Wittenberg-Lutherstadt, na Alemanha (15-18 de Fevereiro de 2007). Consistirão no encontro de 150 delegados das Igrejas, Conferências Episcopais, organismos ecuménicos, comunidades e movimentos ecuménicos.
A segunda etapa consistirá em encontros nacionais e/ou regionais, que se realizarão em toda a Europa, durante a segunda metade de 2006 ou no início de 2007.
Finalmente, a Assembleia, propriamente dita, terá lugar em Sibiu, Roménia, de 4 a 8 de Setembro de 2007, com a participação de três mil delegados. Em simultâneo, terão lugar encontros em todas as cidades da Europa onde tal for possível.