Vaticano

Comunidade Santo Egídio organiza encontro inter-religioso pela paz

Octávio Carmo
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Trezentas personalidades de 40 países, entre as quais o português Mário Soares, participaram ontem na abertura da reunião anual da Comunidade de Santo Egídio, uma organização católica empenhada na paz, através do diálogo inter-religioso. O encontro em Lyon, que se prolonga até amanhã, tem como tema “A coragem de um humanismo de paz” e coincide simbolicamente com o aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque. Por isso, e devido “ao difícil momento que vive a comunidade internacional atingida pelos atentados em Londres, no Iraque e na Turquia, pelo terror e a guerra em muitos locais, o debate girará sobre o desafio do diálogo e da coexistência num mundo tentado pelo confronto”, afirmaram os organizadores. Depois do 11 de Setembro, “o diálogo tornou-se ainda mais numa necessidade para impedir que a guerra seja uma resposta ao conflito e à diferença”, salientou Mario Marazziti, porta-voz da Comunidade. No programa anunciam-se vinte e quatro mesas redondas sobre diferentes temas (religião, laicismo, situação no Líbano e África). Entre os convidados figuram nove Cardeais, o Grande Rabino de Israel, os Reitores das Mesquitas de Paris e do Cairo, e os Arcebispos anglicanos da Cantuária e de Westminster. Criada em 1968 por Andrea Riccardi, a Comunidade de Santo Egídio, uma associação pública de leigos com cinquenta mil membros em 70 países, tem desempenhado um importante papel de mediação na desactivação de vários conflitos, nomeadamente em Moçambique. O presidente moçambicano, Armando Guebuza, falou na sessão plenária de abertura deste encontro internacional de oração pela paz, que já vai na décima nona edição. Os Encontros Internacionais inter-religiosos tiveram início na metade dos anos 80, com o objectivo de promover o conhecimento recíproco e o diálogo entre as religiões, no horizonte da paz. A Comunidade de Santo Egídio continuou assim a viver o espírito do Dia Mundial de Oração de Assis, convocado por João Paulo II em 1986, acolhendo o convite final do Papa naquele histórico encontro: "Continuemos a difundir a mensagem da Paz e a viver o espírito de Assis". Desde então, através de uma rede de amizade entre os representantes das diferentes crenças e culturas, em mais de 60 países, a Comunidade promoveu uma peregrinação de paz, que, de ano em ano, se realizou em diversas cidades europeias e do mediterrâneo.


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