Vaticano

Comunidades cristãs no Paquistão pedem protecção contra violência

Octávio Carmo
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Os líderes cristãos do Paquistão escreveram uma carta conjunta ao presidente Parvez Musharraf para pedirem mais protecção contra a recente onda de violência que atingiu as suas comunidades. Para os responsáveis das Igrejas e comunidades cristãs é fundamental que “no Paquistão, os cristãos sejam cidadãos como todos os outros”. Nos últimos dias, a comunidade de Sangla Hill foi vandalizada por um grupo de dois mil muçulmanos que destruíram as igrejas e propriedades dos cristãos. O Arcebispo de Lahore exigiu então que o ministro visite o local e tome medidas para erradicar a intolerância religiosa e o terrorismo, empenhando-se para que as leis da blasfémia sejam abolidas. Os líderes religiosos anunciaram que todas as escolas que pertencem às igrejas estarão fechadas a 17 de Novembro, em sinal de protesto. Os ataques foram motivados por alegadas blasfémias de um jovem cristão. Nesse sentido, os responsáveis cristãos pedem a Musharraf que aborogue a chamada “lei da blasfémia”, que coloca em risco de vida todos os que não pertencem à maioria muçulmana. A Lei sobre a blasfémia - secções 295 B e C do Código Penal paquistanês - foi introduzida em 1986. A secção 295B refere-se às ofensas ao Alcorão, punidas inclusivamente com prisão perpétua, enquanto que a secção 295C prevê a pena de morte ou prisão perpétua para “todos que, com palavras ou escritos, gestos ou representações visíveis, com insinuações directas ou indirectas, insultarem o sagrado nome do Profeta”. Desde 1988 até hoje, mais de 650 pessoas foram presas com base na referida lei. Além destas, há ao menos 20 casos de pessoas assassinadas no mesmo período, com a mesma acusação. O Paquistão é uma república islâmica e o Islão é a religião de Estado. Nos termos do artigo 41 da Constituição – suspensa após o golpe de 1998 – o Presidente da República tem de ser muçulmano. Embora o artigo 20 da Constituição de 1973 declare que todos os cidadãos têm liberdade de culto, profissão e divulgação e o artigo 36 afirme que o Estado salvaguarda os interesses e os direitos das minorias, a realidade é diferente. Os cristãos, embora não sejam perseguidos, são discriminados.


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