O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) declarou hoje que é indispensável aprofundar a reflexão sobre o processo de unificação europeia, após o “não” francês ao Tratado Constitucional da UE.
No comunicado final do encontro dos secretários das 34 Conferências Episcopais da Europa, reunidos em Saint-Gallen, na Suíça, de 26 a 30 de Maio, pode ler-se que a Igreja deve assumir um compromisso “urgente” na construção de uma “visão europeia” perante o resultado do referendo francês, para fazer face “às consequências que este voto de desconfiança poderá provocar ao processo de unificação”.
As ideias políticas, culturas e éticas da Nova Europa, bem como modelos económicos e de protecção social têm de ser colocados sobre a mesa. Qual o figurino que preside à construção europeia, num momento em que a UE enfrenta grandes desafios mundiais, é a discussão que se impõe.
Para D. Carlos Azevedo, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), é importante compreender “quais as implicações económicas desse figurino e as suas consequências sociais para a Europa”.
O prelado mostra-se preocupado com o “desemprego crescente”, numa espiral que não tem tendência a parar. Nesse sentido, assegura que a Igreja irá “continuar a fazer sentir junto de Bruxelas a sua visão do homem”.
No centro da reflexão deste encontro na Suíça esteve, portanto, o futuro da Europa e o papel da Igreja nesse processo. “Passados 50 anos, importa saber qual é o modelo para a construção da Europa: o que nos pareceu grave é que os homens que lideram a UE não sabem o que fazer após o ‘não’ francês”, revela D. Carlos Azevedo.
“Os católicos, cidadãos de pleno direito nesta Europa, devem propor perspectivas de compromisso com essa sociedade, marcando a sua forma de ver o ser humano”, acrescenta.
Igreja no futuro da Europa
O debate alargado sobre os problemas que a Igreja Católica enfrenta no Velho Continente levou os participantes a concluírem que “só no binómio ‘inovação e tradição’ (referido à transmissão da fé) se poderá fazer face à descristianização que tem lugar na Europa”.
A iniciativa, organizada anualmente pelo CCEE abordou o papel do Cristianismo e das Igrejas na Europa, “tendo em conta os acontecimentos recentes relativamente ao Papado e as tendências que irão marcar as próximas décadas aos níveis económico, socio-político e antropológico”. D. Carlos Azevedo refere à Agência ECCLESIA que foi importante “perceber como será a Igreja na Europa daqui a vinte anos”.
Os participantes foram desafiados a promover a colaboração entre os episcopados nos domínios pastorais da emigração, da Comunicação Social, ecologia e diálogo com o Islão. “O fio condutor da vida do CCEE é o da evangelização e somos chamados a ser um espaço europeu ao serviço da comunhão entre os Bispos”, explica D. Aldo Giordano, secretário-geral do Conselho episcopal.
D. Carlos Azevedo destaca o espaço dedicado, durante ao encontro, ao debate sobre o diálogo ecuménico e às relações com os muçulmanos, cuja presença na Europa não pára de crescer. O documento final considera que, nestas matérias, “importa realizar, no essencial e sem hesitações, o apelo à unidade lançado por Bento XVI”, apelando a uma discussão sobre o Islão baseada em critérios religiosos e não políticos.
Uma parte dos trabalhos foi consagrada a vários acontecimentos que marcam a vida católica na Europa, entre os quais o Congresso Internacional para a Nova Evangelização, cuja etapa de Lisboa será celebrada em Novembro deste ano.