Vaticano

Convite do Papa a bispos chineses gera clima de optimismo

Octávio Carmo
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O convite que Bento XVI deixou ontem a quatro bispos chineses, dos quais três são reconhecidos por Pequim e um pertence à Igreja Católica “clandestinaâ€, para participarem no próximo Sínodo dos Bispos é o último dos vários sinais da intenção do Papa em aproximar-se do gigante asiático. Caso os quatro prelados recebam a permissão do governo da China para se dirigirem ao Vaticano, em 2 de Outubro, esta será a primeira vez que as duas Igrejas católicas chinesas serão representadas num encontro deste tipo. "A nomeação de quatro bispos é considerada pela Santa Sé como um convite a Pequim para que se estabeleça um diálogo com o Vaticano", afirmou a agência AsiaNews, do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras. A China e o Vaticano não mantêm relações diplomáticas porque a Igreja Católica reconhece a soberania de Taiwan. O governo chinês cortou relações com o Vaticano em 1951, dois anos após a subida do Partido Comunista ao poder. A Santa Sé mudou então a sede de Pequim para Taipé e é um dos 25 países do mundo que mantém relações diplomáticas com Taiwan, em detrimento da China. A Igreja clandestina na China, fiel ao Papa, é formada por católicos que não aceitam o controlo exercido pelo governo comunista através da Associação Patriótica Católica, instituição que se atribui o direito de nomear bispos ou controlar outros muitos aspectos da vida da Igreja. Embora o Partido Comunista (68 milhões de membros) se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais, entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica "clandestina" conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos. Vários contactos informais têm sido desenvolvidos desde que Bento XVI sucedeu a João Paulo II, fazendo do estabelecimento de relações diplomáticas com a China uma das suas prioridades.


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