Vaticano

Costa do Marfim teme guerra étnica

Octávio Carmo
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Pelo menos 50 pessoas morreram, 11 das quais queimadas vivas, ontem de madrugada na sequência de confrontos étnicos em duas aldeias da região de Duékué, na Costa do Marfim. Segundo fontes missionários contactadas pela Rádio Vaticano “todos temem que rebente uma guerra étnica”. A violência de ontem revela o aumento da tensão entre comunidades na zona ocidental do país. De acordo com o presidente da Câmara da cidade, Marcel Djahi, todos os mortos pertenciam à etnia guéré, autóctone da região. Em Guitrozon, 11 dos 28 mortos foram queimados vivos, após os atacantes terem incendiado as suas cabanas, explicou o ministro da Reforma Administrativa, Eric Kahé. As fontes missionárias falam em mais de 10 mil deslocados e acusam governo e militares de “não quererem a paz” por motivos económicos, ligados à exploração das matérias-primas no país. Em Fevereiro deste ano a Conferência Episcopal da Costa do Marfim lançara um alerta sobre o clima de tensão no país, considerando que “qualquer bloqueio ao processo de reunificação e pacificação levará, necessariamente, à guerra”. Os prelados pediam à comunidade internacional que “conjugue esforços com as autoridades nacionais para promover a paz”.


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