Igreja Católica procura saída política para a crise social
Bento XVI alertou ontem a comunidade internacional para a crise que atinge a Bolívia, que considerou como uma “situação preocupante”, pedindo aos católicos que rezem pelo povo desse país sul-americano.
Após a recitação do Angelus, o Papa manifestou a sua proximidade às regiões do mundo que “nestes momentos experimentam tensões sociais e políticas, que correm o risco em alguns casos de desembocar em graves conflitos”. De maneira especial, precisou, “o meu pensamento se dirige à Bolívia e à preocupante situação que está a viver”.
“Enquanto vos convido a rezar por essa querida população, confio à Virgem a minha esperança e o meu apelo para que prevaleça em todos a busca do bem comum, o sentido de responsabilidade e a disponibilidade ao diálogo aberto e leal”, afirmou ainda.
A Bolívia está mergulhada, há meses numa grave crise social por causa da exploração dos hidrocarbonetos, que ameaça provocar uma nova onda de violência e uma grave fractura no país, à beira da guerra civil. A Igreja Católica tem-se destacado na mediação entre o Governo e as forças da oposição, procurando encontrar uma solução política para a crise.
Há treze dias que a Bolívia está praticamente parada por causa dos protestos e manifestações, que incluem bloqueios de estradas. Os protestos exigem a nacionalização dos hidrocarbonetos, a convocação de uma Assembleia Constituinte e um referendo sobre autonomias para as regiões.
Esta é a crise mais grave que a Bolívia vive desde Outubro de 2003 quando um protesto popular atiçado pela disputa dos hidrocarbonetos provocou a morte de 56 pessoas e a renúncia do então presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.