O movimento ecuménico vai conhecer mais um passo significativo quando representantes da Santa Sé e da Comunhão Anglicana apresentarem a 16 de Maio a declaração conjunta “Maria: Graça e Esperança em Cristo”, sobre o papel da Virgem na doutrina e na vida das Igrejas.
O documento, que será apresentado na cidade norte-americana de Seattle, é o fruto do trabalho da Comissão Internacional Anglicano-Católica (ARCIC, siglas em inglês). O bispo Brian Farrell, secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, referiu à Agência Zenit que “temos muita esperança, pois a declaração permite descobrir todas as coisas que temos em comum sobre Maria, inclusive com os reformadores anglicanos dos séculos XVI e XVII, que eram vistos como ‘anti-marianos’, mas que não o eram, de facto”.
“O documento discute a problemática dos dogmas católicos, pelo que acreditamos que o documento vai ser interessante não só para o diálogo católico anglicano, mas também para o diálogo com todas as comunidades surgidas da Reforma”, acrescenta.
A Comissão Internacional Anglicano-Católica concluiu a redacção deste documento em Fevereiro de 2004, tendo sido depois submetido ao Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e ao Conselho Consultivo Anglicano. A compreensão da figura de Maria na Igreja “foi objecto de profunda controvérsia entre anglicanos e católicos”, constatava um comunicado da Comissão.
As conversações, decorridas em Seattle, giraram à volta dos dogmas católicos da Imaculada Conceição e da Assunção, no contexto mais amplo da reflexão teológica e das Escrituras sobre Maria.
A publicação de «Maria: Graça e Esperança em Cristo» encerrará a segunda fase do trabalho da Comissão Internacional Anglicano-Católica, que foi estabelecida em 1982 por João Paulo II e pelo arcebispo Robert Runcie.
Nos últimos vinte anos, a Comissão publicou outras quatro declarações: “Salvação e a Igreja” (1987), “A igreja como comunhão” (1991), “Vida em Cristo” (1994) e “O dom da autoridade” (1999).
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