“O povo do Zimbabué está desesperado porque o presidente Robert Mugabe perpetua-se no poder”, denuncia Pius Ncube, arcebispo de Bulawayo.
Durante a apresentação de um documento intitulado “Empenho destrutivo: Violência, Mediação e Política no Zimbabué”, da responsabilidade uma organização não-governamental da Igreja que trabalha pela justiça e a paz no país, o arcebispo apontou Mugabe como “um homem megalómano. Ama o poder, vive para o poder. Até o seu próprio partido está a pedir que ele saia”.
No documento de 44 páginas, o regime de Mugabe é acusado de uso contínuo da violência contra os opositores políticos para manter o poder.
“Dos 414 indivíduos entrevistados, 30%, ou seja 122, referiram-se a torturas entre Março, Abril e Maio de 2007”, afirma o documento . “Este é um dado surpreendentemente alto e apresenta apenas a ponta do iceberg no Zimbabué”.
“À parte da tortura por motivos políticos, a tortura dos presos sob suspeita de uma ofensa criminal é rotineira em Zimbabué”.
O documento acrescenta ainda que em 90% dos atentados, “instituições do governo como a polícia, a organização central de inteligência, o departamento de investigação criminal e o exército estão implicadas”.
Mais de três quartos dos casos tiveram lugar na capital, Harare, “uma das maiores áreas urbanas consideradas território da oposição”, acrescenta.
O lançamento do documento aconteceu enquanto o presidente Mugabe ordenava o corte dos preços devido à actual inflação.
O Serviço de Informação Católico da África informou que mais de 1.300 gestores e proprietários de supermercados foram presos por se negarem a vender as suas mercadorias a preços mais baixos.
Recorde-se que está agendada a Cimeira da União Europeia - África para Lisboa, em Dezembro próximo, e a participação de Robert Mugabe, Presidente do Zimbabué não é consensual. Gordon Brown, primeiro ministro britânico, afirmou recentemente que poderá não participar se o presidente Mugabe estiver presente.
Com Zenit