A Igreja Católica tem desenvolvido uma ampla de actividade de assistência e solidariedade nas zonas da Índia mais atingidas pelo maremoto de 26 de Dezembro, apesar de o governo indiano ter recusado a ajuda internacional.
Na ilha de Satham Kuppam, as equipas da Cáritas levaram três barcos com ajuda de emergência para os seus 352 habitantes: a cada famílias foram distribuídos 15 quilos de arroz, 3 quilos de lentilhas, óleo, sal, chá, utensílios de cozinha, lençóis, toalhas, sabão e roupas tradicionais (saris e dhotis).
Mais de três mil kits iguais a estes foram distribuídos nas dioceses locais. A Cáritas tem como objectivo chegar a mais de 150 mil pessoas na área de Tamil Nadu, a mais afectada na Índia.
Os institutos religiosos a trabalhar no país têm recebido os feridos e desalojados nos seus hospitais, escolas e igrejas. Na Índia, o último balanço das autoridades é de pelos menos 10.327 mortos e quase 6 mil desaparecidos. A região mais atingida foi o estado do Tamil Nadu, com cerca de 8 mil mortos. 382 mil desalojados encontram-se em 600 campos de acolhimento.
“No nosso hospital ficam os feridos mais graves, porque os outros, depois de tratados, correm para os locais de distribuição das poucas ajudas que o governo está a distribuir”, assinala a Ir. Sebasti Amali Hirudaya, missionária do Instituto Pontifício das Missões Exteriores (PIME).
Num testemunho enviado à agência Misna, a religiosa fala da situação no estado meridional de Tamil Nadu, onde se situa o “Nirmala Hospital” que as missionárias da Imaculada gerem. “Desde o segundo dia da tragédia que estamos a trabalhar na assistência aos feridos e às pessoas que perderam tudo. De momento, há milhares de desalojados nas igrejas e nas escolas católicas”, refere.
O cenário no país continua dramático, com aldeias inteiras nas quais ainda não foi possível distribuir ajuda humanitária de qualquer tipo. “As estradas estão destruídas e existem rios de lama que tornam quase impossível chegar a algumas zonas”, relata a Ir. Hirudaya.
Um outro missionário do PIME, Pe. Anthony Thota, fala da situação “muitíssimo grave” na região de Madras, no mesmo Estado de Tamil Nadu. “Ainda estamos a recolher corpos, porque basta escavar um pouco entre os escombros para descobrir novos cadáveres”, testemunha.
O PIME, que logo após o maremoto começou a recolher fundos para fazer face à situação de emergência, já distribuiu no país mais de 202 mil Euros, tendo programados uma série de projectos para a reconstrução da Índia.
Relato do missionário português• Vamos pensar na reconstrução