Vaticano

Igreja brasileira intensifica críticas a Lula da Silva

Octávio Carmo
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O Bispo de Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro, advertiu que a política económica do governo interfere na segurança alimentar e que será muito difícil “segurar o país” sem um projecto de trabalho e sem distribuição do rendimento. “Na concepção do governo, a prioridade é manter a estabilidade e cumprir os acordos, só que, cada vez mais, fica evidente que o país não aguenta continuar engessado por muito tempo”, atirou D. Mauro Morelli. O comentário foi feito durante a II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada em Olinda. O prelado afirmou não ser contrário à manutenção de uma economia e moeda estáveis e que o desafio é da administração Federal e da sociedade. Para ele, sem a participação efectiva dos cidadãos e sem movimento político, nenhuma gestão consegue fazer grandes progressos “e dificilmente, escapa de duas coisas terríveis: a burocracia e a corrupção”. Um dos mentores do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), D. Mauro considerou um “equívoco desastroso” a criação de um ministério para cuidar da fome. Nesse sentido, defende a criação, pelo poder Executivo, de uma secretaria especial de planeamento em vez de uma pasta para combater a subalimentação. As críticas de D. Mauro Morelli à política do governo seguem o alerta, feito na passada semana, pelo Presidente da conferência episcopal, Cardeal Geraldo Majella Agnelo, que exigiu do governo “mudanças radicais na economia”. “É preciso mudar no sentido de atender prioritariamente os problemas sociais", disse em Salvador da Bahia. O aumento da pobreza e da miséria levaram o cardeal a afirmar que a situação no Brasil nunca esteve tão má como agora. “Sempre existiu muita pobreza, mas miséria como está hoje, não", criticou. Estas declarações surgem menos de 1 mês depois de uma entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, em que o presidente da CNBB afirmava que “o Brasil é uma panela de pressão prestes a explodir”.


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