Vaticano

Igreja Católica defende pessoas em estado vegetativo

Octávio Carmo
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Conforme se anunciava já na quinta-feira, João Paulo II proferiu este fim-de-semana um discurso muito duro, em defesa dos direitos das pessoas em estado vegetativo. O Papa assinalou que elas “conservam a sua plena dignidade humana”. João Paulo II recebeu neste sábado os participantes do congresso internacional, intitulado “Os tratamentos de apoio vital e o estado vegetativo. Progressos científicos e dilemas éticos”. A iniciativa foi organizada pela Academia da Santa Sé para a Vida e a Associação de médicos católicos, com o objectivo de afirmar que “a pessoa não perde a sua dignidade nem os seus direitos pelo facto de encontrar-se em estado vegetativo”. “Não falta quem coloque em dúvida o valor da dignidade pessoal de um paciente em condições clínicas vegetativas, como se o adjectivo vegetal – cuja utilização se consolidou – anulasse a sua qualidade humana”, atirou o Papa. Nesse sentido, acrescentou, o termo não é considerado como o mais feliz para fazer referência a seres humanos. “Em oposição a tais tendências de pensamento, sinto o dever de reafirmar com vigor que o valor intrínseco e a dignidade pessoal de todo o ser humano não mudam, sejam quais forem as circunstâncias concretas da sua vida”, referiu João Paulo II num dos seus discursos mais longos e contundentes de sempre sobre esta matéria. “Um homem, mesmo gravemente doente ou impedido no exercício das suas funções mais elementares, é e será sempre um homem, jamais se converterá num vegetal ou um animal”, vincou. O bispo Elio Sgreccia, vice-presidente da Academia Pontifícia para a Vida, aproveitou o congresso para criticar os que consideram que “quando uma pessoa perde o uso da razão, deixa de ser tal, e então se sugere a possibilidade de interromper a assistência alimentar e a hidratação para facilitar sua morte”. Para a Santa Sé, a questão de ministrar alimentos e hidratação aos pacientes vegetativos “é um dever, tanto de um ponto de vista ético, como de um ponto de vista médico, pois no estado actual dos conhecimentos científicos não é possível saber hoje com antecipação se estes pacientes se poderão curar”.


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