Vaticano

Igreja Católica quer combater tráfico de mulheres

Luís Filipe Santos
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Igreja Católica quer combater tráfico de mulheres Na Europa ingressam clandestinamente mais de meio milhão mulheres todos os anos. Os números relativos ao tráfico de seres humanos foram apresentados, dia 8 de Julho, durante a 17ª Assembleia Geral da Cáritas Internationalis, a decorrer em Roma até 12 de Julho. A maioria dessas mulheres, oriundas do Leste Europeu, da África e da América Latina ocupam-se de funções subalternas ou ilegais. Segundo os dados da Christian Organisations Against Trafficking in Women (COATNET), os principais pólos receptores de mulheres, que ingressam de modo clandestino, estão na Áustria, Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e Grécia. Elas são submetidas a actividades como a prostituição e a indústria da diversão. Para além desta situação, outras duas preocupam também a Igreja Católica: muitas mulheres estão em empregos ilegais ou vivem em casamentos arranjados comercialmente, através de agências matrimoniais, que se encarregam de garantir o ingresso ilegal na Europa. Os dirigentes da COATNET denunciam também que, na maioria dos casos, os agenciadores retém os passaportes dessas mulheres, que posteriormente são forçadas a actuar na prostituição ou outras formas de exploração. Os dirigentes da organização cristã explicam que o tráfico de mulheres tornou-se um negócio fortemente lucrativo e actua em proximidade com o comércio clandestino de armas e de drogas. O responsável da Cáritas Internationalis para as Américas e Caribe, Eber Ferrer, afirmou que a realidade vivida por essas mulheres exige uma atenção e uma resposta humana voltada para o resgate da sua dignidade. "É comum, entre essas mulheres que chegam a Itália e à Europa com a esperança de constituir uma família e viver em melhores condições, serem transformadas em objectos de prazer e descartadas no momento em que já não produzem lucro imediato”. E explicou aos participantes que muitas dessas mulheres procuram as organizações das Cáritas “como recurso de protecção e para se libertarem desse regime de escravidão e domínio”. Muitas vezes os consulados brasileiros enviam essas vítimas à Cáritas, para que ajude a solucionar os seus problemas de ordem legal e para as encaminhar para o país de origem. Eber Ferrer afirmou ainda que é importante essa acção da Cáritas articulada com outras organizações civis, a fim de prevenir e evitar que outras mulheres sejam enganadas por esses grupos de especuladores. "A partir de agora, toda a rede da Cáritas irá actuar de maneira articulada com outras organizações que realizam esse serviço em todo os continentes, para combater a acção dessas mafias".


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