Vaticano

Igreja da China recordada no Sínodo

Octávio Carmo
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O encerramento do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, ficou marcado pelas mensagens dirigidas à Igreja na China, cujos prelados não receberam autorização para participar nesta assembleia. Ontem, na Missa de encerramento do Sínodo, o Papa disse que “gostaria agora convosco e em nome de todo o Episcopado enviar uma saudação fraterna aos Bispos da Igreja na China”. “Com imensa pena sentimos a falta dos seus representantes. Quero, no entanto, assegurar a todos os Bispos chineses que estamos próximos com a nossa oração por eles, pelos seus sacerdotes e fiéis. O caminho sofrido pelas comunidades confiadas ao seu cuidado pastoral está presente no nosso coração", frisou. Durante as três semanas que durou o encontro de Bispos de todo o mundo na Sala Nova do Sínodo, estiveram vazios os lugares dos prelados chineses convidados pelo Papa. Tratava-se de D. António Li Duan, Arcebispo de Xian e D. Aloísio Jin Luxian SI, bispo de Xangai --ambos reconhecidos pelo governo--; D.José Wei Jingyi, bispo de Qiqihar, não reconhecido pelo governo; e D. Lucas Li Jingfeng, Bispo de Fengxiang (Shaanxi), recentemente reconhecido pelo governo. Um dos prelados chineses enviou uma carta escrita em latim ao Sínodo, lida pelo cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, na qual agradecia ao Papa pelo convite, manifestando o seu lamento pela impossibilidade de participar. Este sábado, a assembleia sinodal respondeu à missiva com uma mensagem dirigida aos bispos chineses ausentes, na qual os participantes confessam que a sua ausência “causou profunda pena no nosso espírito” e asseguram que “gostaríamos de ter-vos encontrado para escutar, de viva voz, a história da vossa sofrida e frutuosa experiência eclesial”. “Tudo isso não foi possível, mas asseguramos que vós e toda a Igreja na China estão particularmente presentes nos nossos corações e nas nossas orações”, afirma a assembleia sinodal. “No Senhor Jesus - conclui a mensagem dos padres sinodais - fazemos votos de que todas as comunidades eclesiais na China floresçam na escuta da Palavra, na celebração do Mistério e no generoso serviço aos irmãos. Esses votos incluem o ardente desejo de que se possam encontrar, o mais breve possível, caminhos capazes de tornar ainda mais visível a nossa plena comunhão”. A mensagem aos bispos chineses é assinada por D. Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, e pelos Cardeais Francis Arinze, Juan Sandoval Íñiguez, e Telesphore Placidus Toppo, Arcebispo de Ranchito, os três presidentes-delegados da assembleia sinodal.


Sínodo dos Bispos