Nos primeiros oito meses de 2003 houve um crescimento significativo na acção dos movimentos sociais do campo, mas, ao mesmo tempo, aumentou a violência contra os trabalhadores rurais. Foi o que revelou a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organismo da Igreja Católica no Brasil, que sugere um objectivo ímplicito de “barrar a acção dos movimentos”.
D. Tomás Balduíno, presidente da CPT, atribui o crescimento da violência “à frustação das expectativas que os trabalhadores rurais colocaram no novo governo em realizar a Reforma Agrária”, tantas vezes anunciada, mas que até agora está sem efeitos práticos.
A CPT acusa o “Latifúndio” de “barrar a actuação dos movimentos que lutam pela Reforma Agrária”. Os dados apresentados revelam que até Agosto deste ano o número de famílias despejadas judicialmente foi 84% maior do que em todo o ano de 2002.
O número de assassinatos também impressiona: do início do ano até o final de Setembro, 60 trabalhadores foram mortos. O número é o dobro do registado no mesmo período de 2002 (30 assassinatos) e 39% mais do que todo o ano de 2002 (43 mortos). Desde 1990, assegura a Igreja Católica, que não se chegava a número tão elevado.
De Janeiro a Agosto foram ainda assinaladas 259 ocupações, que envolveram 54.726 famílias. No ano passado, no mesmo período, tinham ocorrido 148, o que representa um aumento de 75%.
As ocupações, de Janeiro a Agosto de 2003, são 40% maiores do que todo o ano de 2002, 184 ocupações. O crescimento do número de acampamentos é ainda mais impressionante: até Agosto foram enumeradas 149 contra 57 no mesmo período do ano passado. Um crescimento de 161%.