A Igreja Ortodoxa russa reagiu de imediato ao apelo lançado por Bento XVI em favor do diálogo entre os cristãos, durante a sua visita a Bari, com o Patriarca Alexis II a referir que “estamos abertos ao diálogo para a solução dos problemas que têm impedido a melhoria das relações entre a Igreja Ortodoxa e a Católica”.
Bento XVI reafirmou este Domingo uma das ideias-chave do seu pontificado: o compromisso em favor da plena unidade dos Cristãos. Na primeira viagem do Papa fora do Vaticano, Bento XVI falou da Eucaristia como “sacramento de unidade” perante milhares de fiéis reunidos na cidade italiana de Bari, para o encerramento do Congresso Eucarístico Nacional italiano.
“Infelizmente os cristãos estão divididos. É por isso que aqui em Bari - cidade que guarda as relíquias de S. Nicolau, terra de encontro e diálogo com os irmãos cristãos do Oriente - gostaria de reafirmar a minha vontade de assumir como empenho fundamental o de trabalhar com todas as energias, a favor da reconstituição da unidade plena e visível de todos os seguidores de Cristo", afirmou.
O Patriarca Ortodoxo de Moscovo tem respondido com cordialidade às tomadas de posição do novo Papa, algo que não acontecia com João Paulo II: apesar de ter visitado centenas de países, João Paulo II nunca se pôde deslocar à Rússia, por oposição da Igreja Ortodoxa.
O seu sucessor encontra um clima de tensão, criado após o desaparecimento da União Soviética: Moscovo acusa os católicos de proselitismo em terras tradicionalmente ortodoxas, particularmente a Bielorússia e a Ucrânia. Em 2000, a situação agravou-se após a criação de quatro dioceses católicas na Rússia. Uma comissão mista foi criada em 2004, após uma visita do Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos, mas ainda não nenhum tipo de acordo sobre os diferendos entre as duas Igrejas.
Logo após o início do seu pontificado, Bento XVI reafirmou a necessidade de desenvolver a cooperação com a Igreja Ortodoxa da Rússia ao receber no Vaticano o metropolita Kyrill, responsável pelo Departamento das Relações com o Exterior do Patriarcado Ortodoxo de Moscovo.
O Patriarca Ortodoxo da Rússia, Alexis II, felicitara o novo Papa Bento XVI, aquando da sua eleição, revelando esperar um “diálogo frutuoso” entre as duas Igrejas. O Patriarcado de Moscovo acolheu, de facto, de uma forma muito optimista a eleição do Cardeal Joseph Ratzinger, esperando melhorias substanciais no relacionamento mútuo através da diminuição da “acção missionária católica” nos territórios da antiga URSS.
A solução deste problema, contudo, não se afigura fácil: o Patriarca Ortodoxo tem insistido na tese de "proselitismo católico" na Rússia e nas outras onze repúblicas da ex-União Soviética. Acusando católicos e protestantes de proselitismo, Alexis II pretende que o Cristianismo na Rússia seja sinónimo exclusivo de Igreja Ortodoxa.
A acusação de proselitismo, de facto, deveria ser aplicado apenas a casos de conversão forçada ou recrutamento de fiéis através de fraude ou engano, o que não é o caso na Rússia de hoje.