Vaticano

Igrejas europeias preparam rede comum para a bioética

Octávio Carmo
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O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) anunciou hoje a intenção de construir, em colaboração com as Igrejas locais, uma “rede europeia de peritos em bioética”. Este organismo vai assumir-se como um “observatório” e pretende colaborar com as Conferências Episcopais e as instituições comunitárias no debate sobre temas como a pesquisa com embriões e células estaminais até à eutanásia, passando pelo aborto e a investigação sobre o cérebro humano. Esta é uma das conclusões do encontro dos secretários das 34 Conferências Episcopais da Europa, reunidos em Saint-Gallen, na Suíça, de 26 a 30 de Maio. No comunicado final, os participantes esclarecem que “é absolutamente necessário e urgente que a Igreja entre em diálogo com a ciência e contribua para uma tomada de consciência na opinião pública sobre estes problemas”. D. Carlos Azevedo, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), explica à Agência ECCLESIA que uma das maiores questões, nesta área, se coloca ao nível da União Europeia, com o 7º Programa-Quadro de Investigação, no qual não foram definidos limites éticos para os projectos que beneficiam de financiamento comunitário. Os Bispos manifestam-se particularmente preocupados com o financiamento comunitário a projectos de investigação em células estaminais embrionárias. “A UE não tem capacidade de intervir nos projectos, mas pode decidir se os financia ou não. Esperamos, por isso, que não dê dinheiro a projectos que não correspondam a uma investigação segundo os princípios da ética”, assinala o representante português neste encontro do CCEE, lamentando a influência dos interesses económicos que marcam as discussões nesta matéria. A comissão de ética que analisa este projecto deverá contar com alguns dos nomes indicados pelo Conselho episcopal. O secretário-geral do CCEE, D. Aldo Giordano, explica que a Igreja “tem a responsabilidade de apresentar uma palavra clara sobre estas questões e explicar cientificamente as suas posições”.


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