Vaticano

Informação sobre a Igreja deve ser transparente

Octávio Carmo
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Conferências Episcopais da Europa querem oferecer dados credíveis sobre a sua vida

Os porta-vozes e responsáveis de imprensa das Conferências Episcopais da Europa devem “ser credíveis e fiáveis” quando informam sobre a vida e o pensamento da Igreja. Esta é uma das conclusões do encontro de representantes de 25 das 34 organizações episcopais que compõem o Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE), a decorrer em Varsóvia. A morte de João Paulo II, a eleição de Bento XVI e a recente Jornada Mundial da Juventude foram apresentadas como situações da vida da Igreja “que receberam uma extraordinária atenção dos media de todo o mundo”. A partir dessas experiências, os participantes nesta reunião pedem a quem tem de responder perante os meios de comunicação social, em nome das conferências episcopais, uma informação “completa, transparente, atempada, documentada e capaz de utilizar as novas tecnologias”. A partir das intervenções dos vários representantes nasceu a convicção de que “é preciso, cada vez mais, crescer em profissionalismo porque a informação sobre a Igreja e da Igreja é muito mais procurada e desejada desde há alguns anos”. Neste sentido, fizeram-se votos de que os contactos entre os secretariados das comunicações sociais dos episcopados europeus sejam incrementados, com o objectivo de “ampliar as informações nacionais e também oferecer um contributo comum para o crescimento de uma Europa na qual o Cristianismo está presente com a sua história e com o seu compromisso para o futuro”. Cativar os jovens Após reunião anual dos porta-vozes e responsáveis de imprensa das Conferências Episcopais, Varsóvia acolhe até 18 de Setembro Bispos, especialistas em Comunicação, representantes dos organismos católicos para os Media e porta-vozes das 34 Conferências Episcopais da Europa, para debater o tema “Quem cria a visão que os jovens têm da realidade?”. Esta iniciativa do CCEE vem na sequência do encontro de 2004, em Atenas, no qual se decidiu partir em busca de uma rede de informação comum que permita uma “cooperação prática” entre os diversos episcopados. Na sua intervenção, o Arcebispo John P.Foley, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, pediu que haja um cuidado redobrado na comunicação da Igreja quando os destinatários são os jovens. “Para falar aos jovens, os símbolos devem ser sinceros e autênticos, tanto quanto eram as acções simbólicas de João Paulo II. Não podem ser forçados ou não sinceros, porque senão arriscamo-nos a fazer mais mal do que bem”, apontou. “João Paulo II tinha o dom de saber cumprir acções simbólicas muito comoventes. Uma vez disse-me que não as planificava, mas que elas aconteciam espontaneamente”, acrescentou. O Arcebispo Foley contou ainda alguns episódios inéditos sobre os últimos dias da vida de João Paulo II, em particular durante a Sexta-feira Santa (25 de Março, uma semana antes da morte do Papa polaco). “Como sabeis, na última Semana Santa João Paulo II não pôde ir ao Coliseu para a Via Sacra, seguindo-a na televisão. A certo ponto, alguém deu-lhe um grande crucifixo que ele manteve em equilíbrio na sua mão e joelho direitos. Quando um seminarista leu, em várias línguas, o titulo da 12ª estação, ‘Jesus morre na sua cruz’, o Papa pegou na cruz e estreitou-a contra si, abraçando-a. Podeis imaginar as minhas lágrimas...”, relatou.


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