Internet ajuda a conhecer o rito tridentino Octávio Carmo 06 de Julho de 2007, às 17:42 ... As bibliotecas ou os recantos esquecidos das sacristias podem não ser o melhor local para matar a natural curiosidade pelo Missal de 1962, após a anunciada publicação do Motu Proprio de Bento XVI sobre a liturgia romana anterior à reforma de 1970 que será publicado amanhã, 7 de Julho. No documento "Summorum Pontificum", o Papa explica as razões que fundamentam a possibilidade de se poder celebrar, livremente, a Missa segundo o Rito de São Pio V (Tridentino), até agora apenas permitida segundo autorização do Ordinário do lugar. São precisamente as palavras "Missa Tridentina" ou "São Pio V" que permitem, na era da Internet, encontrar documentação e mesmo pequenos filmes no youtube sobre a celebração no rito antigo, em latim. No caso da pesquisa se alargar ao inglês, os resultados crescem exponencialmente. O ordinário da Missa pode ser encontrado em vários sites, com versões latim-inglês. Em muitos casos, a informação é da Fraternidade São Pio X, que congrega os seguidores do Arcebispo Marcel Lefebvre, mas há várias imagens de celebrações que decorreram com a autorização do bispo católico local. No Brasil, a Administração Apostólica Pessoal S.João Maria Vianney (reconhecida pelo Vaticano) apresenta um DVD para ensinar aos sacerdotes que o desejarem o rito da missa segundo o missal de São Pio V (www.adapostolica.org) Missa de São Pio V Este texto, publicado a 14 de Julho de 1570, tornou-se norma para todas as Igrejas do Ocidente, uniformizando os seus textos e ritos, com excepção das Igrejas que possuÃssem um ritual próprio desde há, pelo menos, 200 anos. A Missa, a partir do século XIII, costumava ser dividida em duas partes: "missa dos catecúmenos" e "missa dos fiéis"; eram admitidos à primeira parte os que aspiravam a se tornar cristãos e, uma vez que estavam ainda na fase de preparação doutrinal, eram excluÃdos do sacrifÃcio eucarÃstico e participavam somente na liturgia da Palavra, com claro valor catequético; na segunda parte participavam todos os crentes. O altar, colocado no cimo de alguns degraus, significava a subida ao Gólgota; por isso, as orações de introdução ao sacrifÃcio eram recitadas pelo celebrante aos pés dos degraus: remonta ao século IX a recitação do salmo 42, "Iudica me, Deus", com o Glória e o Confiteor, cuja fórmula é do século XII, o sacerdote sobe ao altar, que incensa com três voltas, se a missa é solene. A recitação do Credo, depois da leitura do Evangelho e da homilia, é introduzida no século VI no Oriente e no século XI no rito latino. A segunda parte da missa tinha inÃcio com a apresentação dos dones; seguiam-se orações, chamadas "pequeno cânone" que, no rito latino, não são anteriores ao século XIV: "Suscipe", "Sancte Pater", talvez de origem galicana, e o "Deus qui humanae substantiae", antiga oração da liturgia natalÃcia romana; feita a oferta, procedia-se a uma nova incensação do altar, seguida do Lavabo, ou lavagem das mãos, da "Oratio super oblata secreta" e, finalmente, do Prefácio, que é a introdução à oração eucarÃstica por excelência, ou seja, o "cânone" ou "canon actionis". O Prefácio começa com um diálogo entre celebrante e fiéis, continua com uma oração de agradecimento e termina com o Triságio, ou Sanctus. Tem assim inÃcio o Cânone, fórmula usada desde o século VII, com a consagração das duas espécies eucarÃsticas e sua dupla elevação, existente desde o tempo da heresia de Berengário; todas as orações seguintes, sempre expressas em lÃngua latina, culminam com o doxologia "Per ipsum, cum ipso, in ipsum". Com o Pater Noster, tem inÃcio a parte da Comunhão: primeiro a fracção da hóstia, o antiquÃssimo Agnus Dei, a oração e o beijo da paz posteriores ao ano 1000, e a comunhão do sacerdote. Durante a comunhão dos fiéis, cantava-se um salmo; restam vestÃgios disso na actual oração da Communio. A oração do Postcommunio concluÃa a celebração, à s vezes, com a "Oratio supra populum"; depois, o "Ite, missa est" fazia a despedida da assembleia. O Placeat com a bênção são posteriores ao ano 1000, e o último Evangelho (leitura do Prólogo de João) era de devoção particular até o século XV. Pós-ConcÃlio O rito litúrgico resultante da reforma litúrgica do ConcÃlio Vaticano II institui uma nova forma de celebrar a missa que revoga, não o uso do latim, mas o uso do anterior Rito de S. Pio V. A constituição conciliar sobre a Liturgia, Sacrossanctum Concilium, declarou o seguinte sobre a lÃngua latina: 36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos , salvo o direito particular. § 2. Dado, porém, que não raramente o uso da lÃngua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à lÃngua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capÃtulos seguintes. § 3. Observando estas normas, pertence à competente autoridade eclesiástica territorial, (...) consultados, se for o caso, os Bispos das regiões limÃtrofes da mesma lÃngua, decidir acerca do uso e extensão da lÃngua vernácula. Tais decisões deverão ser aprovadas ou confirmadas pela Sé Apostólica. § 4. A tradução do texto latino em lÃngua vulgar para uso na Liturgia, deve ser aprovada pela autoridade eclesiástica territorial competente, acima mencionada. 54. À lÃngua vernácula pode dar-se, nas missas celebradas com o povo, um lugar conveniente, sobretudo nas leituras e na «oração comum» e, segundo as diversas circunstâncias dos lugares, nas partes que pertencem ao povo, conforme o estabelecido no art. 36 desta Constituição. Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem. Liturgia Share on Facebook Share on Twitter Share on Google+ ...