O Papa anunciou este Domingo um consistório no qual criará 31 novos cardeais. Destes, quatro têm mais de 80 anos e um deles foi nomeado "In pectore", ou seja, o seu nome permanecerá em segredo. Assim, passará a haver 26 novos eleitores no Colégio Cardinalício.
Segundo João Paulo II "os candidatos à dignidade cardinalícia provêem de várias partes do mundo e desempenham diversas missões ao serviço do povo de Deus; neste grupo espelha-se bem a universalidade da Igreja com a multiplicidade dos seus ministérios".
O anúncio antecipa em seis meses a convocação do Consistório normal na Igreja, de três em três anos. No último, realizado em Fevereiro de 2001, foram nomeados os cardeais portugueses D. José Policarpo (Patriarca de Lisboa) e D. José Saraiva Martins (Prefeito da Congregação para a Causa Dos Santos).
O Colégio de Cardeais era, antes deste anúncio, constituído por 164 membros, mas apenas 109 tinham menos de 80 anos, a idade permitida para a votação na escolha de um novo Papa.
Com esta nomeação, João Paulo II excede o número limite anteriormente fixado por Paulo VI para composição do Colégio Cardinalício: em vez de 120 Cardeais, passará a haver 135 eleitores integrar o Colégio Cardinalício. Para alguns observadores na Santa Sé, esta nomeação revela a preocupação do Papa em actualizar o Colégio que irá eleger o seu sucessor, numa altura em que se agrava o seu estado de saúde.
De entre os novos cardeais o destaque vai para o Arcebispo de Karthoum, no Sudão, sede intimamente ligada à figura de Daniel Comboni, fundador dos Combonianos que será canonizado no próximo dia 5 de Outubro. Há ainda um cardeal vietnamita, de Hochimin.
O maior número de Cardeais, desta vez, é europeu: três italianos (Veneza, Génova e Florença), dois franceses (Marselha e Lyon), dois da Europa de Leste (Croácia e Hungria), um espanhol (Sevilha) e um escocês.
O único dos novos cardeais proveniente das Igrejas lusófonas é o Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Eusébio Oscar Sheid.
João Paulo II leu com voz fraca e muita dificuldades a lista dos futuros purpurados. O Papa falou da janela da sua biblioteca, antes de rezar a oração mariana do Angelus, junto de milhares de peregrinos reunidos na praça de São Pedro.
A LISTA DOS FUTUROS CARDEAIS
Os novos cardeais que trabalham na Cúria Romana serão:
D. Jean-Lius Tauran, secretário vaticano para as Relações com os Estados (França);
D. Renato Raffaele Martino, presidente do Conselho para a Justiça e a Paz (Itália);
D. Francesco Marchisano, presidente da Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja (Itália);
D. Julián Herranz, da Prelatura do Opus Dei, presidente do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos (Espanha);
D. Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (México);
D. Stephen Fumio Hamao, presidente do Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes (Japão);
D. Attilio Nicora, presidente da Administração do Património da Sé Apostólica (Itália).
19 de outras tantas Igrejas locais:
D. Angelo Scola, patriarca de Veneza (Itália)
D. Anthony Olubunmi Okogie, arcebispo de Lagos (Nigéria);
D. Bernard Panafieu; arcebispo de Marselha (França);
D. Gabriel Zubeir Wako, arcebispo de Khartoum (Sudão);
D. Carlos Amigo Vallejo, arcebispo de Sevilha (Espanha);
D. Justin Francis Rigali, arcebispo de Filadélfia (Estados Unidos);
D. Keith Michael Patrick O’Brien, arcebispo de Santo André e Edimburgo (Escócia);
D. Eusébio Oscar Scheid, SCI, arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (Brasil);
D. Ennio Antonelli, arcebispo de Florença (Itália);
D. Tarcicio Bertone, arcebispo de Génova (Itália);
D. Peter Kodwo Appiah Turkson, arcebispo de Cape Coast (Gana);
D. Telesphore Placidus Toppo, arcebispo de Ranchi (Índia);
D. George Pell, arcebispo de Sydney (Austrália);
D. Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb (Croácia);
D. Jean.Baptiste Pham Minh Mân, arcebispo de Ho Chi Minh (Vietname);
D. Rodolfo Quezada Toruño, arcebispo de Guatemala (Guatemala);
D. Philippe Berbarin, arcebispo de Lyon (França);
D. Péter Erdõ, arcebispo de Esztergom-Budapest (Hungria);
D. Marc Oullet, PSS, arcebispo de Quebec (Canadá);
Por último, João Paulo II nomeou cardeais quatro sacerdotes que se destacaram por um particular serviço à Igreja. Trata-se do Pe. George Marie Martin Cottier, dominicano, teólogo da Casa Pontifícia (Suíça); de Gustaaf Joos, da diocese de Gand (Bélgica); do Pe. Tomas Spidlik, jesuíta da República Checa, homem de profunda espiritualidade inspirada na tradição oriental e o padre Stanislas Nagy, dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Polónia).