Vaticano

João Paulo II contra «muros» na Terra Santa

Octávio Carmo
...

Condenação dos recentes actos terroristas incluiu, indirectamente, construção na Cisjordânia

João Paulo II condenou ontem todas as formas de terrorismo e criticou a construção de um “muro de segurança” na Cisjordânia, numa altura em que o Primeiro-ministro israelita se prepara para visitar a Itália. Sabe-se que esta declaração foi mal recebida em Israel, que não abdica da construção desta barreira. Na sua alocução antes do Angelus o Papa afirmou que a Terra Santa não tem necessidade de «muros», mas de «pontes», em referência à barreira de cimento e arame farpado de 350 quilómetros -120 quilómetros já foram levantados - que o governo israelita está a levantar a fim de deter a entrada de terroristas no seu próprio território. Esta é a primeira vez que João Paulo II intervém a respeito deste assunto, sem citar directamente Israel. “Renovo a minha firme condenação todas as acções terroristas perpetradas nestes últimos tempos na Terra Santa. Ao mesmo tempo tenho de constatar que infelizmente nestes lugares o dinamismo da paz parece que parou”, disse o Papa no seu discurso. “A construção de um muro entre o povo israelita e o palestiniano é vista por muitos como um novo obstáculo no caminho para uma coabitação pacífica. Na realidade, a Terra Santa não tem necessidade de muros, mas de pontes! Sem reconciliação dos espíritos não pode haver paz”, acrescentou. A atitude de João Paulo II em relação a Israel é, reconhecidamente, a de conjugar o direito à existência do Estado hebraico, numa vida pacífica, com os direitos da Palestina. Os actos terroristas no Iraque e na Turquia, por sua parte, também mereceram uma condenação explícita do Papa. “Uma vez mais, nestes últimos dias, o terrorismo cumpriu sua obra nefasta, particularmente devastadora no Iraque e na Turquia. Expresso profunda solidariedade a todos os que se comprometem para atender os feridos e tratar os males provocados. Ninguém pode ceder à tentação de desalento ou de vingança: o respeito à vida, a solidariedade internacional e o respeito à lei têm de prevalecer sobre o ódio e a violência”, afirmou. Em Istambul 23 pessoas morreram num duplo atentado contra sinagogas. Em Nassyria 19 italianos e 9 iraquianos morreram num ataque suicida. “Continuo a rezar pelas vítimas e volto a testemunhar minha proximidade às muitas famílias que choram os seus falecidos”, disse João Paulo II que pediu aos responsáveis políticos na região que retomem “o diálogo e a negociação”. A Igreja Católica e o “Muro” • O muro como obstáculo para a paz • Cristãos realizaram marcha em Belém contra a construção do muro que isola palestinianos • Custódios da Terra Santa voltam a contestar "Muro de segurança" israelita • Muro de Segurança na Cisjordânia viola acordo assinado com a Santa Sé


Terra Santa