Vaticano

João Paulo II e Bartolomeu I assinam declaração comum

Octávio Carmo
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Relações entre católicos e ortodoxos conhecem avanço importante

O Papa João Paulo II e o Patriarca Ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, assinaram hoje no Vaticano uma declaração comum onde assumem “a plena vontade de continuar no caminho rumo à plena comunhão entre nós, em Cristo”. Os líderes das Igrejas Católica e Ortodoxa reconhecem que é importante que os cristãos vivam entre si em paz e harmonia, tendo em vista “um testemunho mais credível e convincente do Evangelho”. O texto, com 11 pontos, dá um destaque particular ao contexto europeu, em que se vive um processo de integração e alargamento para Leste, algo que João Paulo II e Bartolomeu I consideram “um desenvolvimento positivo”, na esperança de que assim cresça a colaboração entre católicos e ortodoxos. As Igrejas pretendem enfrentar em conjunto uma série de desafios actuais: “curar com amor a praga do terrorismo, infundir uma esperança de paz, contribuir para sarar todos os conflitos dolorosos, restituir ao continente europeu a consciência das suas raízes cristãs e construir um verdadeiro diálogo com o Islão, porque da indiferença e da ignorância recíproca apenas pode nascer o ódio”. Apesar dos “muitos passos positivos” que o Papa e o Patriarca de Constantinopla assinalam, a declaração comum não esconde os obstáculos que o caminho ecuménico tem encontrado desde o histórico encontro entre Paulo VI e Atenágoras I, em Jerusalém, no ano de 1964. “Os novos problemas, surgidos das profundas mudanças socio-políticas acontecidas na Europa, não deixaram de ter consequências nas relações entre as Igrejas cristãs”, assume-se no documento. Entre essas mudanças contam-se o regresso à liberdade dos cristãos da Europa central e de Leste. A exortação pede “que seja reactivado o mais rapidamente o trabalho da Comissão mista internacional para o Diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa”, que praticamente deixou de existir nos últimos anos. “É nosso dever continuar com um compromisso decidido de reactivar esses trabalhos quanto antes”, escrevem João Paulo II e Bartolomeu I. “As dificuldades podem ser enfrentadas com serenidade e não atrasam nem obscurecem o caminho empreendido rumo à plena comunhão em Cristo”, apontam. O documento • DICHIARAZIONE COMUNE DEL PAPA GIOVANNI PAOLO II E DEL PATRIARCA ECUMENICO BARTOLOMEO I


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