Vaticano

João Paulo II preocupado com a violência no Médio Oriente

Octávio Carmo
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Discurso anual ao corpo diplomático vinca que a guerra não é solução para os problemas da humanidade

João Paulo II condenou hoje o crescimento do terrorismo internacional e a situação de violência que afecta o Médio Oriente – em especial o Iraque, pedindo aos líderes dos Estados que “não se conformem a aceitar que a violência tenha feito a paz sua prisioneira”. “Qualquer civilização digna desse nome implica a recusa categórica das relações de violência”, escreveu. No seu importante discurso anual ao corpo diplomático creditado junto da Santa Sé, o Papa lembra o papel central da ONU para a criação de uma nova ordem internacional e a garantia da “segurança colectiva”, a partir das “lições do passado longínquo e recente” e da certeza que “a guerra não resolve nunca os conflitos entre os povos”. “O terrorismo internacional – diz o texto que o Papa não chegou a ler, mas que se considera pronunciado – semeia medo, ódio, fanatismo e desonra todas as causa que pretende servir”. Na saudação que dirigiu aos embaixadores presentes, João Paulo II lamentou os meses de “guerra e confronto” no Médio Oriente e lembrou as acções da Santa Sé para “evitar o conflito no Iraque”. O Papa considera ainda que "a não resolução do problema israelo-palestiniano continua a ser um factor de desestabilização permanente em toda a região. A opção pelas armas, o recurso - de um lado, ao terrorismo, do outro lado às represálias, à humilhação do adversário e à propaganda raivosa - não levam a parte nenhuma". “A paz autêntica e duradoura não pode reduzir-se a um simples equilíbrio entre as forças presentes; é sobretudo o fruto de uma acção moral e jurídica”, explicou. Lembrando os membros do corpo diplomático que perderam a vida ou passaram por inúmeras dificuldades no desempenho da sua missão, o Papa prestou homenagem ao arcebispo Michael Courtney, o núncio apostólico recentemente assassinado no Burundi, e ao representante especial da ONU no Iraque, o brasileiro Sérgio Veira de Mello.


João Paulo II