Cerimónia de beatificação concluída com mensagem de esperança
João Paulo II endereçou ontem uma mensagem de esperança “ao povo de Madrid e de toda a Espanha”, após os atentados dos 11 de Março.
“O amor é mais forte que o ódio e que a morte”, disse o Papa após a Missa em que beatificou três religiosas e um sacerdote. Falando em espanhol, pediu para que se mantenham "a esperança, o ânimo e a generosidade diante da dor de tantas famílias, do povo de Madrid e de toda a Espanha pelo recente atentado terrorista".
Entre os mais de 20.000 peregrinos, que ao início da celebração desafiaram a chuva, destacavam-se as bandeiras da Espanha, algumas delas com faixas pretas em sinal de luto.
Os espanhóis vieram para a cerimónia de beatificação das religiosas Matilde do Sagrado Coração Téllez Robles (1841-1902), fundadora da Congregação das Filhas de Maria Mãe da Igreja, e Piedade da Cruz Ortiz Real (1842-1916), fundadora da Congregação das Religiosas Salesianas do Sagrado Coração de Jesus. Os outros dois novos beatos, ambos italianos, são o sacerdote Luigi Talamoni (1848-1926), fundador das Religiosas da Misericórdia de São Geraldo, e Maria Cândida da Eucaristia, religiosa da Ordem dos Carmelitas Descalços.
Na homilia, João Paulo II apresentou-os como “singulares testemunhos da amorosa Providência divina, que acompanha o caminho da humanidade”.
“Cristo foi sempre o seu apoio e consolo nas difíceis vicissitudes da existência. Deste modo, experimentaram em si mesmos que viver n’Ele significa converter-se em nova criatura”, acrescentou.
Após esta beatificação, João Paulo II proclamou 1331 beatos e 477 santos nos mais de 25 anos do seu Pontificado, o que constitui um número recorde.
ARCEBISPO DE MADRID AGRADECE A JOÃO PAULO II
Na passada sexta-feira, o Papa recebeu em audiência, o Cardeal Antonio Maria Rouco Varela, arcebispo de Madrid, que quis agradecer a João Paulo II as suas mensagens de solidariedade para com os madrilenos.
No momento do atentado de 11 de Março, que fez 202 mortos e mais de 1500 feridos, o Cardeal Rouco Varela encontrava-se em Roma para participar na abertura dos trabalhos da assembleia plenária do Conselho Pontífice para a Cultura, que decorreram entre dos últimos dias 11 e 13.
Logo nessa manhã, o Papa enviou ao prelado um telegrama, em que apresentava as suas condolências e o encorajava a percorrer o caminho da "coabitação pacífica", quando ainda se pensava que a ETA tinha sido a autora do atentado.
No dia 13 de Março, João Paulo II ligou telefonicamente ao Cardeal Rouco Varela, enquanto este visitava um dos hospitais de Madrid que receberam as vítimas do ataque.