O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, criticou na sua edição de 9-10 de Dezembro o modo como a imprensa internacional tratou as tomadas de posição da Igreja Católica em relação a documentos propostos na ONU em relação a homossexuais e a pessoas com deficiência.
Assinalando o 60.º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos nas Nações Unidas, a peça “Quando a corrida às vítimas obscurece a realidade”, da jornalista e historiadora Lucetta Scaraffia, ressalta que a Santa Sé foi acusada de "ter atacado grupos sociais frágeis e perseguidos" por não querer assinar a proposta francesa de descriminalização da homossexualidade e a convenção sobre os deficientes físicos.
Segundo Scaraffa, o texto proposto pela França sobre a homossexualidade foi escrito associando termos como "preconceitos" e "discriminações" a aspectos dos direitos humanos, de modo a "introduzir a obrigatoriedade" de se aceitar o matrimónio homossexual, o que é inaceitável para a Igreja Católica.
“Tratam-se de manipulações hábeis, que mascaram a verdade das intenções e os motivos autênticos destas posições, mas que prejudicam gravemente a imagem da Igreja, apresentada cada vez mais na opinião pública como dura e privada de caridade”, acrescenta.