São mais de 30 milhões as armas ligeiras em circulação na África subsaariana, uma revelação feira no relatório anual de Small Arms Survey, uma organização independente que estuda a difusão das armas leves no mundo e o seu impacto nas sociedades dos países mais pobres.
“Existem armas ligeiras em númerosuficiente para perpetuar os combates em diversos países e aumentar o perigo da violência criminal em muitos outros, mas não o suficiente para tornar a situação totalmente fora de controle e sem esperança”, diz o documento
Calcula-se que em Moçambique, passados 12 anos do fim da guerra civil, circulem ainda entre meio milhão e 6 milhões de armas leves. Na vizinha África do Sul, existem entre 400 mil a 8 milhões de armas de fogo em circulação.
As novas guerras africanas reciclam as armas dos conflitos concluídos. A guerra civil na Costa do Marfim, que eclodiu em Setembro de 2002, viu a utilização de armas provenientes de Angola.
Outro aspecto dramático é representado pela produção de armas por parte de alguns países africanos. Em primeiro lugar está a África do Sul, que dispõe de uma indústria sofisticada, herança dos tempos do apartheid. Mais recentemente, Zimbabwe, Tanzânia, Uganda e Quénia iniciaram a fabricação de armas ligeiras e munições.
Diante desta situação, a Comissão da ONU para a prevenção dos crimes advertiu os governos para que estudem um acordo internacional para combater a fabricação e o tráfico de armas ligeiras.
A nível mundial, as exportações autorizadas de armamento são apenas a ínfima ponta de um gigantesco icebergue. Segundo as estatísticas oficiais, as transacções legais rondam os 21 mil milhões de dólares, o que representa 0,5% de todo o comércio internacional e menos de metade do valor do mercado global de café.
Os gastos militares consomem, em média, 2,8% dos orçamentos dos governos antes de um conflito, 5% durante e 4,5% na década seguinte: só no ano de 1999, a África do Sul acordou a aquisição de seis mil milhões de dólares de material militar; entre 1998 e 2001, os EUA, o Reino Unido e a França ganharam mais com a venda de armas aos países em vias de desenvolvimento do que o que gastaram nas ajudas ao desenvolvimento; os países da África, da Ásia, do Médio Oriente e da América Latina gastam, em média, vinte e dois mil milhões de dólares por ano em armas.