Vaticano

Mais de 4 milhões de pessoas em risco de vida no Níger

Octávio Carmo
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A população do Níger está a enfrentar uma grave crise humanitária que pode levar mais de 4 milhões de pessoas a correr risco de vida por causa da fome. O alerta foi lançado pela ONU, após a seca prolongada e a devastação de uma praga de gafanhotos neste país da África setentrional, com 12 milhões de habitantes. “É uma situação desesperada, inimaginável. Um drama que se pode transformar em catástrofe antes que o mundo perceba”, referiu à Agência missionária Fides D.Laurent Lompo, vigário-geral da diocese de Niamey, capital do Níger. O prelado assegura que as estimativas da ONU pecam por defeito e que “praticamente, correm risco quase todos os habitantes do país, se ninguém intervir imediatamente. “A invasão dos gafanhotos de Setembro, e a seca, criaram uma situação desesperada. Já entramos na estação quente e temos 42 graus de temperatura. Praticamente não há mais nada de verde. Os animais estão a morrer de sede e de fome”, acrescenta. O pior ainda está para vir: segundo as previsões dos especialistas, uma nova nuvem de gafanhotos está para chegar ao país. “Sabemos que a situação é ainda pior do que pensam os organismos internacionais”, diz D. Lompo. A população dos campos, que não tem mais nada a cultivar, está a deslocar-se em massa para as cidades, especialmente para Niamey. “Recebemos ajudas da Caritas Internationalis e de outras organizações de caridade católicas, especialmente da Europa, mas nossos meios são uma gota no oceano do desespero. Precisamos de um forte apoio e ajuda da comunidade internacional. É preciso agir rapidamente, pois a situação piora a cada dia”, conclui o prelado.


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