Bento XVI apoia Bispos italianos na luta contra o referendo sobre a procriação assistida
Bento XVI manifestou-se hoje contra o que considera ser a “marginalização” do Cristianismo e do fenómeno religioso, em geral, nas sociedades europeias. A posição foi assumida no encontro que o Papa manteve com os Bispos da Conferência Episcopal Italiana (CEI), reunidos para a sua 54ª assembleia geral.
Pedindo aos prelados que sejam capazes de iluminar “os desafios” da actualidade, o Papa desafiou os católicos a “testemunhar a presença de Cristo na vida quotidiana”.
A alocução de Bento XVI criticou duramente o racionalismo que pretende “excluir” o Cristianismo, vincando a “presença capilar” da Igreja na Itália e na Europa.
No dia seguinte à primeira viagem do pontificado, o Papa voltou a referir-se ao tema da Eucaristia, que tinha abordado no encerramento do Congresso Eucarístico italiano em Bari, exortando a Igreja a viver de “forma tangível” a relação com Jesus Cristo. O diálogo com o mundo da cultura e a defesa da família foram outras prioridades apresentadas.
Ao lado da vida
A intervenção de Bento XVI ficou marcada pelo apoio manifestado às posições da CEI relativamente ao referendo sobre a fecundação assistida na Itália, que terá lugar a 12 e 13 de Junho. Os Bispos apostam na abstenção dos católicos para que o referendo não seja válido e o Papa assegurou que esta posição “não é pelos interesses dos católicos, mas pelo homem”, dado que promove a “sacralidade da vida humana”.
O referendo precisa da participação de 50% dos votantes italianos para que se valide o seu resultado. A vitória do “sim” mudaria a lei sobre a fecundação artificial, aprovada pelo Governo italiano em Fevereiro de 2004 e considerada a mais restritiva de Europa, mas que segundo o Cardeal Camillo Ruini, presidente da CEI, tem "o mérito de proteger os princípios e critérios essenciais sobre a dignidade da pessoa".
O Tribunal Constitucional aceitou no passado dia 13 de Janeiro a organização de quatro referendos sobre alguns pontos da lei que, actualmente, proíbe a fecundação por uma pessoa alheia ao casal, prevê a criação de no máximo três embriões para cada mulher e que os três deverão ser implantados obrigatoriamente, além da não permitir a análise dos embriões antes de sua implantação.
“A única maneira de opor-se efectivamente ao agravamento da lei é a não participação, dado que votar ‘não’ contribui para atingir o quorum e ajuda, mesmo se involuntariamente, os promotores do referendo”, disse hoje o Cardeal Ruini.
Bento XVI disse aos Bispos que "o vosso compromisso claro e concreto é um sinal da vossa solicitude pastoral de pastores para com todo o ser humano, que nunca deve ser reduzido a um meio".