A escolha do Bispo de Hong Kong, D. Joseph Zen, como um dos novos Cardeais da Igreja Católica, está a incomodar o governo chinês. A escolha de Bento XVI recaiu sobre um dos homens mais destacados na luta pelos direitos humanos e pela liberdade em Hong Kong.
O governo chinês já aconselhou D. Joseph Zen, a evitar discutir e levantar questões políticas. "Registámos a nomeação de Zen, e defendemos que as figuras religiosas não devem interferir em política", disse em Pequim Liu Jianchao, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em conferência de imprensa.
D. Zen, considerado pelos seus seguidores "o homem de Deus na China", visitou pela última vez a China em 2004 e, ao longo da sua vida como prelado, tem sido muito crítico relativamente às políticas do continente.
Sobre a sua designação por Bento XVI como Cardeal, D. Zen disse que ela "é uma honra para toda a China". Em declarações à agência AsiaNews, o Bispo de Hong Kong refere estar certo de que Bento XVI “ama muito a China”.
Embora o Partido Comunista Chinês se declare oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de cinco Igrejas oficiais (Associações Patrióticas), entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica “clandestina” conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos.
Vários contactos informais têm sido desenvolvidos desde que Bento XVI sucedeu a João Paulo II, fazendo do estabelecimento de relações diplomáticas com a China uma das suas prioridades. A Associação Patriótica Católica, contudo, vê esses novos elementos de diálogo entre a China e o Vaticano como um perigo para a organização.