Vaticano

O Papa apela à defesa dos direitos dos migrantes e dos seus familiares

Octávio Carmo
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João Paulo II manifestou a sua satisfação com a entrada em vigor da Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e dos seus Familiares, que descreveu como um “passo importante”. “Este instrumento legislativo marca um importante passo em frente, pois considera o migrante como uma pessoa unida à sua família», assegurou o Papa após a oração mariana do «Angelus» neste Domingo, 6 de Julho. Em 1990, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a Convenção Internacional sobre a Protecção dos Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e dos seus Familiares, e abriu-a para s sua ratificação e entrada em vigor. «Enquanto expresso a minha satisfação por este resultado jurídico, desejo que uma adesão mais ampla dos Estados reforce sua eficácia para que, com a adopção de medidas deste tipo e a constante colaboração internacional, o complexo fenómeno das migrações possa desenvolver-se na legalidade e no respeito às pessoas e às famílias», desejou o Papa. João Paulo II, nesta intervenção, apresentou as férias de verão como um período particularmente propício para redescobrir os autênticos valores do espírito. «As férias que começam para muitos nestes dias, se não são “queimadas” pelo esbanjamento e a simples diversão, podem converter-se em ocasião propícia para voltar a dar alento à vida interior» disse aos milhares de peregrinos na praça de São Pedro. «As numerosas ocupações e os ritmos acelerados da vida fazem com que em certas ocasiões seja difícil esta importante dimensão espiritual», reconheceu. João Paulo II passará este verão na residência pontifícia de Castel Gandolfo (a cerca de 30 quilómetros ao sul de Roma), onde chegará a partir de 10 de julho. Durante as suas férias, o Papa terminará um livro sobre sua experiência como bispo, como revelou há alguns dias Joaquín Navarro-Valls, director da Sala de Imprensa da Santa Sé. A CASTIDADE É A «GUARDIû DO AMOR, DIZ JOÃO PAULO II AOS JOVENS João Paulo II apresentou aos peregrinos a castidade como a «guardiã» do amor, ao completar-se o centenário da morte de Santa Maria Goretti. «Hoje exalta-se com frequência o prazer, o egoísmo, ou inclusive a imoralidade, em nome de falsos ideais de liberdade e felicidade”, acusou o Papa, para quem “é necessário reafirmar com clareza que a pureza do coração e do corpo deve ser defendida, pois a castidade “guarda” o amor autêntico”. «O que diz aos jovens de hoje esta rapariga frágil, mas de postura cristã madura, com a sua vida e sobretudo com a sua heróica morte?», perguntou o Papa. «Marietta, como era chamada familiarmente, recorda à juventude do terceiro milénio que a autêntica felicidade exige valentia e espírito de sacrifício, rejeição de todo compromisso com o mal e disponibilidade para pagar com o próprio sacrifício, inclusive com a morte, a fidelidade a Deus e a seus mandamentos», assegurou. Maria Goretti, menina de onze anos de idade de Nettuno (localidade ao sul de Roma), foi assassinada em 6 de julho de 1902 por Alessandro Serenelli, um jovem que tentava abusar dela. Pio XII, que a canonizou em 24 de Junho de 1950, definiu-a «pequena e doce mártir da pureza».


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