João Paulo II apelou ontem à comunidade internacional que ajude a colocar um fim aos conflitos sangrentos que se vivem no Sudão e no Uganda, os quais já provocaram milhares de mortos e milhões de deslocados e refugiados.
O Papa falava aos peregrinos junto à sua residência oficial de Verão, em Castel Gandolfo, antes da oração do Angelus.
Sobre a guerra na região sudanesa do Darfur, para onde João Paulo II destacou um enviado especial, o Papa afirmou que não se pode ficar indiferente, dirigindo "um premente apelo aos responsáveis políticos e às organizações internacionais para que não se esqueçam dos irmãos que passam por tão duras provações".
"A guerra, que se intensificou no último mês, traz consigo sempre mais pobreza, desespero e morte", disse.
Desde Fevereiro de 2003, a região de Darfur, é cenário de um violento confronto entre dois grupos rebeldes - o Movimento para a Justiça e a Igualdade (JEM) e o Exército-Movimento de Libertação do Sudão (SLA-M)- e o exército regular sudanês. A guerra provocou mais de um milhão de refugiados e quase 30 mil mortos. Segundo a ONU, mais de uma centena de pessoas morre por dia no Darfur, por causa da fome e da guerra.
A Caritas Internationalis, confederação de 154 organizações católicas de ajuda, desenvolvimento e serviço social, já alertou para os números da crise humanitária no Darfur, província sudanesa, assinalando que mais de 1 milhão e 200 mil pessoas foram forçadas a abandonar os seus lares e estão espalhadas por um território duas vezes superior ao de França.
Em relação ao Uganda, o Papa lembrou que "há mais de 18 anos que o Norte do país é atingido por um conflito desumano, que envolve milhões de pessoas, sobretudo crianças, muitas delas amordaçadas pelo medo e privadas de futuro - sentem-se obrigadas a ser soldados".
“Dirijo-me à comunidade internacional e aos responsáveis políticos nacionais para que se ponha termo a este trágico conflito e se ofereça uma perspectiva real de paz a toda a população ugandesa”, acrescentou.
Na sua luta contra o governo ugandense, desde 1986, os rebeldes do LRA dirigidos por Joseph Kony torturaram e assassinaram mais de 120.000 pessoas, sequestrando também mais de 25.000 crianças, reduzidas à escravidão ou envolvidas à força na guerrilha. Esta guerra civil provocou ainda mais de um milhão de deslocados.
A concluir, o Papa convidou todos os cristãos “a rezar pelos nossos irmãos e irmãs da África”.