A paz e a justiça foram palavras chave deste Pontificado. A campanha contra a guerra no Iraque, no início deste ano, é o acto que simbolicamente congrega as iniciativas e apelos de paz de João Paulo II ao longo dos últimos 25 anos, nascidos segundo o Secretário de Estado do Papa, “da convicção de que o respeito pelos direitos humanos é o único caminho para os povos”.
O Cardeal Angelo Sodano, uma das figuras de proa da Cúria Romana, foi encarregado pelos cardeais da Igreja católica de avaliar os “25 anos ao serviço do Evangelho da paz”, por ocasião do simpósio sobre os temas centrais do Pontificado, e não duvida que João Paulo II será recordado, entre outras coisas, como o Papa que evitou a guerra entre as religiões.
“João Paulo II impediu que a guerra no Iraque fosse percebida como uma guerra de religião do Ocidente contra o mundo muçulmano”, graças ao seu compromisso constante em favor de soluções pacíficas, sublinhou o Cardeal Sodano.
O pensamento deste Papa sempre foi na linha de que a paz não se ganha através da guerra, mesmo quando as batalhas são favoráveis às intenções de quem as provoca.
O homem que encontrou um mundo “bipolar”, ajudou a derrubar os regimes comunistas “nunca cessando de gritar contra o absurdo deste sistema”. O Cardeal Sodano assegura que a obra de João Paulo II em favor da paz na Europa central e de Leste “é um dos maiores actos deste Pontificado”.
As inúmeras viagens internacionais de João Paulo II podem ser lidas, a esta luz, como meio para promover “um compromisso mais concreto a favor da paz e da concórdia entre os povos”. Dentro do panorama mundial, porém, fica claro que há quatro áreas onde está acção foi mais sensível: a Terra Santa, os Balcãs, a África Central e o Iraque, como já se referiu.
A actual situação de tensão entre Israel e a Palestina é, segundo o Secretário de Estado do Papa, uma das maiores preocupações. “Ao longo destes 25 anos manteve estreitos contactos com as partes em causa e tomou numerosas iniciativas de forma a que as resoluções da ONU sejam respeitadas e os dois povos tenham direito a um Estado próprio em que a cidade de Jerusalém goze de um estatuto internacionalmente garantido”.