Vaticano

Papa defende importância da diplomacia

Octávio Carmo
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Bento XVI recebeu no Vaticano onze novos embaixadores, lembrando tempo de injustiças e grave crise económica

Bento XVI destacou esta Quinta-feira no Vaticano o papel da diplomacia no actual contexto internacional, marcado por injustiças e uma grave crise económica. O Papa falava ao receber onze novos embaixadores junto da Santa Sé, do Malawi, Suécia, Serra Leoa, Islândia, Luxemburgo, Madagáscar, Belize, Tunísia, Cazaquistão, Bahrein e Fiji. Perante este verdadeiro quadro mundial, Bento XVI frisou que “a verdadeira paz não é possível enquanto não reinar a justiça. O nosso mundo tem sede de paz e justiça”. Recordando a intervenção da Santa Sé, antes da recente conferência de Doha, sobre a actual crise financeira e as suas repercussões, o Papa convidou a “procurar soluções duradouras e solidárias para o bem de todos, em particular os que estão mais expostos às consequências dramáticas da crise”. O tema da actual crise financeira foi sublinhado em particular no encontro com a nova Embaixadora da Islândia na Santa Sé, com o Papa a fazer votos de que aquele país possa recuperar das “sérias dificuldades económicas” e da turbulência que o atingiram e colocaram sob os holofotes da opinião pública internacional. Segundo Bento XVI, “a Santa Sé está preocupada” com os efeitos da actual instabilidade económica internacional sobre os países e os indivíduos, “seguindo com particular atenção as propostas de consolidar as instituições financeiras nacionais e internacionais sobre fundamentos mais prudentes e moralmente responsáveis”. Construir a paz Bento XVI disse também que o embaixador tem como missão ser um “construtor da paz”, não só por causa de um temperamento “calmo e conciliador”, mas também colocando-se “totalmente ao serviço da paz e comprometendo-se activamente na sua construção, às vezes até com o custo da própria vida”. A paz, explicou, “não implica apenas o estado político ou militar de não-conflito, mas apela ao conjunto de condições que permitem a concórdia entre todos e a plenitude de cada um”. O Papa deixou ainda duras críticas a sistemas politico-económicos que procuraram “uniformizar com demagogia e violência” a diversidade da sociedade, reduzindo o ser humano “a uma escravatura indigna em prol de uma ideologia única ou de uma economia desumana ou pseudo-científica”. “Sabemos todos que não existe um modelo político único que seja um ideal a realizar em absoluto e que a filosofia política evolui no tempo e nas suas expressão com o refinamento da inteligência humana e com as lições tiradas da sua experiência política e económica”, apontou.


Bento XVI