Bento XVI deu ontem um voto de confiança ao seu sucessor no cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), Cardeal William Levada, saindo em defesa de dois documentos por ele assinados em 2007 e que geraram alguma polémica.
Recebendo em audiência os participantes da sessão plenária da CDF, o Papa falou da importância das “Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja” e da “Nota doutrinal sobre alguns aspectos da Evangelização”, tornadas públicas em 2007.
Para Bento XVI, estes documentos da CDF contribuíram para a clareza no diálogo ecuménico, inter-religioso e intercultural, relançando a acção missionária e evangelizadora da Igreja.
No primeiro, lembrou, é “confirmado que a una e única Igreja de Cristo tem a sua subsistência, permanência e estabilidade na Igreja Católica”, frisando que “a unidade, a indivisibilidade e a indestrutibilidade da Igreja de Cristo não é anulada pelas separações e divisões dos cristãos”.
“Longe de impedir o esforço ecuménico autêntico, será um estímulo para que o confronto sobre questões doutrinais surja sempre com realismo e pleno conhecimento dos aspectos que ainda separam as Confissões cristãs”, assegurou.
De acordo com Bento XVI, não estaria correcta uma visão teológica que considerasse a unidade e identidade da Igreja como tesouros “ocultos em Cristo”, “com a consequência de que historicamente a Igreja existiria de facto em múltiplas configurações eclesiais, reconciliáveis somente em perspectiva escatológica”.
Quanto ao diálogo entre as religiões e culturas, a Igreja não prescinde “da necessidade da evangelização e da actividade missionária junto ao povo, nem cessa de pedir aos homens que acolham a salvação oferecida a todas as pessoas”.
A publicação da “Nota doutrinal sobre alguns aspectos da Evangelização” alertou, por isso, para “o risco de um persistente relativismo religioso e cultural”.
“O reconhecimento dos elementos de verdade e bondade nas religiões do mundo e da seriedade dos seus esforços religiosos, o próprio diálogo e espírito de colaboração com elas pela defesa e a promoção da dignidade da pessoa e dos valores morais universais, não podem ser pensados como uma limitação do compromisso missionário da Igreja”, disse o Papa, confirmando as orientações emanadas no texto da CDF.