Bento XVI encerrou o ciclo de catequese sobre o Apóstolo Paulo, por ocasião do Ano Paulino, numa intervenção em que- contra as conclusões de vários arqueólogos – voltou a situar o local do martírio de Paulo nas “Tre Fontane'', em Roma.
Bento XVI afirmou que, segundo vários estudos de fontes antigas, a condenação à morte do Apóstolo se verificou na época do imperador Nero, entre os anos 64 e 68.
Paulo foi decapitado no lugar conhecido como “Tre fontane”, (Três fontes) na cidade de Roma e, segundo essas mesmas tradições, o seu sepulcro encontra-se na Via Ostiense, onde hoje se ergue a Basílica de São Paulo fora de Muros.
O Papa encontrou-se com os fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo e falou da morte do Apóstolo, frisando que o mesmo “já tinha consciência de que o seu serviço ao Evangelho estava prestes a terminar concluir através da sua morte cruenta, do seu martírio”.
“Escrevendo ao seu amigo e colaborador Timóteo – disse – Paulo vislumbra o final de sua vida com estas palavras: «Quanto a mim estou pronto para o sacrifício e o ponto da minha partida já se aproxima» (2 Tim 4, 6)”.
Para além dos factos que determinaram a sua morte, Bento XVI qui sublinhar que “São Paulo deixou uma profunda marca na tradição da Igreja e uma extraordinária herança de ensinamentos cristãos”.
“Na actualidade, como em todas as épocas – concluiu -, encontramos mestres e teólogos, santos e fundadores, que beberam e bem, dos seus escritos e do seu exemplo”.
O túmulo de São Paulo
Paulo chega a Roma em 61, para ali ser julgado. É decapitado [1] entre 65 e 67. O seu corpo será depositado a pouco mais de três quilómetros do lugar do martírio, no sepulcro que a cristã Lucina possuía na via Ostiense, que fazia parte do cemitério que ali existia[2].
Foi possível sepultar o apóstolo Paulo numa necrópole romana, mesmo sendo ele cristão, por ser também cidadão romano. O seu túmulo tornou-se logo objecto de veneração, sobre ele se edifica uma “cella memoriae” ou “tropaneum”, memorial para onde, durante esses séculos de perseguição, se dirigem em oração os fiéis e os peregrinos, dele retirando forças para prosseguir a evangelização empreendida pelo grande missionário[3].
A lápide sepulcral
A 1,37 m abaixo do acual altar papal, uma lápide de mármore (2,12 m x 1,27 m) traz a inscrição PAULO APOSTOLO MART. Ela é composta de diversas partes. A que traz o nome PAULO possui três orifícios, um redondo e dois quadrados 4].
O sarcófago
Foi sobre um sarcófago maciço de 2,55 m de comprimento por 1,25 m de largura e 0,97 m de altura que foram erguidos os “altares da Confissão” seguintes. Durante as reformas mais recentes, foi aberta uma grande janela sob o altar papal, para que os fiéis possam ver o túmulo do Apóstolo.
NOTAS:
1) Fora dos muros aurelianos, na via Ostiense, sem dúvida em Aquas Salvias.
2) As escavações confirmam a presença de um cemitério sob a Basílica e ao redor dela (lóculos e fossas) para os pobres e os escravos libertos.
3) O presbítero Gaio, bispo dos Romanos de 199 a 217, no papado de Zeferino, citado por Eusébio no século III, foi o primeiro a contar ter visitado os memoriais dos dois Apóstolos: “Posso mostrar-te”, escrevia a Proclo, “os troféus (“monumenti funerei”) dos Apóstolos. Quer vás para o Vaticano, quer sigas a estrada para Óstia, encontrarás os troféus daqueles que fundaram a Igreja romana”.
4) O orifício redondo, que não altera a inscrição, é sem dúvida da mesma época em que ela foi feita; ele se liga a um pequeno escoadouro conectado ao túmulo, e lembra o costume romano, depois cristão, de derramar perfumes nos túmulos. Essa lápide dos séculos IV-V, muito provavelmente, é testemunha de um culto anterior à grande construção de 386.
Fonte: www.vatican.va