Vaticano

Papa esperançado no avanço do diálogo com os Luteranos

Octávio Carmo
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Bento XVI mostrou-se hoje esperançado no avanço do diálogo com os Luteranos, afirmando que “devemos intensificar os nossos esforços para compreender mais profundamente o que temos em comum e o que nos divide”. O Papa recebeu no Vaticano o presidente da Federação Luterana Mundial, Bispo Mark Hanson, acompanhado por uma delegação luterana, em visita oficial a Roma. Na sua intervenção, o chefe da Igreja Católica lembrou que as duas partes promovem, há vários anos, muitos contactos e um “diálogo ecuménico intenso”, considerando essa troca de ideias como “muito produtiva e promissora”. Um dos resultados mais importantes desse caminho foi a Declaração conjunta sobre a Justificação, datada de 1999, que Bento XVI classificou como “um marco no nosso caminho comum para a plena unidade visível”. “Para avançar sobre este acontecimento, temos de aceitar as diferenças que permanecem sobre a questão central da Justificação e enfrentá-las, em conjunto com os modos em que a graça de Deus é comunicada na e através da Igreja”, apontou. Sobre o futuro deste diálogo, o Papa deixou votos de que não se apenas centre em questões “institucionais”, mas também na “verdadeira fonte de todo o ministério na Igreja”. “A missão da Igreja é testemunhar a verdade de Jesus Cristo, a Palavra feita carne: Palavra e testemunho andam juntos”, indicou. Num momento em que a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial trabalham na redacção de um documento comum sobre a Apostolicidade da Igreja e a sucessão apostólica, Bento XVI lembra que “o nosso diálogo fraterno é desafiado, não só pela necessidade de verificar a recepção destas fórmulas conjuntas de doutrina nas nossas respectivas comunhões, mas também – e cada vez mais, nos nossos dias – pelo clima geral de incerteza no que diz respeito às verdades cristãs e aos princípios éticos que nunca foram questionados antes”. “O nosso caminho ecuménico em conjunto continuará a encontrar dificuldades e exigirá um diálogo paciente, mas sou muito encorajado pela sólida tradição de estudo sério e de partilha que tem caracterizado as relações Católico-Luteranas ao longo dos anos”, assinalou. O Papa agradeceu ainda a presença de uma delegação da Federação Luterana Mundial no funeral de João Paulo II e na solene inauguração do seu próprio ministério como Bispo de Roma. Para o Bispo Mark Hanson, as relações entre as duas Igrejas “devem abrir-se e fundamentar-se, cada vez mais, na confiança”. “Bento XVI sublinhou que o serviço à unidade de toda a Igreja cristã será uma das suas principais prioridades e a Federação Luterana Mundial não vê a hora de dar passos substanciais nesta visão ecuménica”, refere em comunicado.


Bento XVI