Vaticano

Papa evoca cenários de violência

Agência Ecclesia
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Índia e Nigéria nas orações do primeiro Domingo de Advento

Bento XVI manifestou este Domingo o seu “horror” pelos recentes episódios de violência em Mumbai, na Índia, e em Jos, na Nigéria. “Peçamos ao Senhor que toque o coração daqueles que se iludem que este é o caminho para resolver os problemas locais ou internacionais e sintamo-nos todos impelidos a dar o exemplo de mansidão e de amor para construir uma sociedade digna de Deus e do homem”, disse. O Papa falava no Angelus deste I Domingo de Advento, o tempo litúrgico com que a Igreja Católica prepara o Natal. Neste dia, Bento XVI dirigiu a sua saudação e os bons votos a Bartolomeu I e aos fiéis do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla (Ortodoxo). “ A 30 de Novembro – recordou - ocorre a festa de Santo André, irmãos de Simão Pedro. Ambos foram, primeiro seguidores de João Baptista e, depois do Baptismo de Jesus no rio Jordão, tornaram-se seus discípulos, reconhecendo n’Ele o Messias”. “Santo André é o patrono do Patriarcado de Constantinopla, e é assim que a Igreja de Roma se sente ligada àquela Igreja por um laço de especial fraternidade. Portanto nesta feliz circunstância – concluiu o Papa - segundo a tradição, uma delegação da Santa Sé, chefiada pelo Cardeal Walter Kasper, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos deslocou-se em visita ao Patriarca Ecuménico Bartolomeu I”. Tempo para o Natal Já em relação à preparação do Natal, Bento XVI destacou que “Deus tem sempre tempo para nós”. “Nós temos sempre pouco tempo, especialmente para o Senhor, não sabemos ou, às vezes, não queremos encontrá-lo. Ora bem, Deus tem sempre tempo para nós”, apontou. O Papa admitiu que “o ritmo da vida quotidiana se tornou frenético para todos. Também a esse respeito a Igreja tem uma boa notícia para dar: Deus dá-nos o seu tempo”. Segundo Bento XVI “esta é a primeira coisa que o início de um novo ano litúrgico nos faz redescobrir com maravilha sempre nova. Sim: Deus dá-nos o seu tempo, porque entrou na história com a sua palavra e as suas obras de salvação, para a abrir ao eterno, para a tornar história de aliança”. “Nesta perspectiva - explicou aos cerca de 20 mil fiéis congregados na Praça de São Pedro – o tempo é já em si mesmo um sinal fundamental do amor de Deus: um dom que o homem, como qualquer outra coisa é capaz de valorizar ou, pelo contrário, de estragar; de colher no seu significado, ou desleixar com superficialidade obtusa”. Neste I Domingo do Advento, Bento XVI efectuou uma visita pastoral à paroquia de São Lourenço fora de muros, que se encontra ao lado do cemitério Verano, um lugar ligado a duas grandes personalidades do século passado, o Papa Pio XII e Alcides De Gasperi. O actual Papa percorreu de automóvel o mesmo percurso seguido a 19 de Julho de 1943 por Pio XII que saiu do Vaticano para manifestar a sua solidariedade às vitimas do primeiro bombardeamento das forças aliadas sobre Roma. Naquele dia a batina branca de Pio XII ficou manchada de sangue de alguns dos feridos que ele confortara. Antes de deixar a Basílica de São Lourenço, Bento XVI prestou homenagem ao monumento que recorda a visita de Pio XII àquele bairro popular romano que então foi quase inteiramente arrasado. “Jamais poderá ser apagado da memória – disse o Papa na sua homilia referindo-se à visita de Pio XII – o gesto generoso efectuado naquela ocasião pelo meu venerável predecessor, que correu imediatamente a socorrer e consolar a população duramente atingida, entre os escombros ainda fumegantes”. Também nesta visita, Bento XVI falou das “violências destas semanas”, referindo-se implicitamente ao ataque terrorista de Mumbai e aos confrontos étnicos da Nigéria. “Vem hoje Senhor, ajuda-nos, ilumina-nos, dá-nos a paz, ajuda-nos a vencer a violência, vem Senhor rezamos precisamente nestas semanas, Senhor, faz resplandecer o teu rosto e seremos salvos”, pediu o Papa, numa passagem improvisada da sua homilia. (Com Rádio Vaticano) FOTO: Lusa


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