Bento XVI assegurou a sua oração por todas as vítimas inocentes da chamada «grande fome» na Ucrânia, há 75 anos
Bento XVI evocou este Domingo, no Vaticano, os 75 anos da chamada "grande fome", que provocou milhões de mortos na Ucrânia e noutras regiões da ex-URSS.
Depois da recitação do Angelus, dirigindo-se a um grupo de peregrinos ucranianos, na respectiva língua, Bento XVI evocou o aniversário deste acontecimento, no regime comunista. O Papa assegurou a sua oração por todas as vítimas inocentes daquela terrível tragédia e exprimiu fervorosos votos de que "nunca mais nenhum ordenamento político venha a negar os direitos da pessoa humana e a sua liberdade e dignidade".
Neste contexto, invocou a Virgem Maria "para que ajude as Nações a avançar na via da reconciliação e a construir o presente e o futuro no respeito recíproco e na busca sincera da paz".
Na alocução antes da oração, na solenidade de Jesus Cristo Rei do universo, Bento XVI fez notar que Jesus recusou o título de Rei quando este era entendido em sentido político, mas “durante a sua paixão reivindicou, diante de Pilatos, uma singular realeza, depois de – pouco antes – ter declarado que o seu reino não era deste mundo”.
“De facto a realeza de Cristo é revelação e actuação da realeza de Deus Pai, que tudo governa com amor e justiça. O Pai confiou ao Filho a missão de dar aos homens a vida eterna amando-os até ao supremo sacrifício, e ao mesmo tempo conferiu-lhe o poder de os julgar, pois se fez Filho do homem, em tudo semelhante a nós”, explicou.
Referindo depois o Evangelho do dia – a parábola do juízo final, Bento XVI observou que “as imagens são simples, a linguagem é popular, mas a mensagem é extremamente importante: é a verdade sobre o nosso destino último e sobre o critério com o qual seremos avaliados”.
Nesta passagem do Evangelho, é dito “tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me, e assim por diante”. Para o Papa, “esta página faz parte da nossa civilização. Marcou a história dos povos de cultura cristã: a hierarquia dos valores, as instituições, as múltiplas obras sociais e de assistência”.
“O reino de Cristo não é deste mundo, mas conduz ao seu cumprimento todo o bem que, graças a Deus, existe no homem e na história”, indicou.
“O reino de Deus não é uma questão de honras e de aparências, mas sim, como escreve São Paulo, ‘justiça, paz e alegria no Espírito Santo’”, sublinhou Bento XVI.
Em conclusão, o Papa recordou ainda que esta Segunda-feira, em Nagasaki, no Japão, terá lugar a beatificação de 188 mártires, todos japoneses, homens e mulheres, mortos na primeira metade do século XVII. "Nesta circunstância tão significativa para a comunidade católica e para todo o país do Sol Nascente", assegurou a sua "proximidade espiritual".
Bento XVI referiu também outra beatificação, no próximo Sábado, em Cuba: a do Irmão José Olallo Valdés, da Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Por isso, confiou à sua celeste protecção "o povo cubano, especialmente os doentes e os trabalhadores do mundo da saúde".
(Com Rádio Vaticano)
FOTO: Lusa