Vaticano

Papa pede combate político contra o laicisimo

Octávio Carmo
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Bento XVI desafiou hoje os dirigentes do Partido Popular Europeu (PPE – democratas-cristãos) a promoverem um combate político contra o laicismo, que considerou uma cultura em expansão pela Europa. Recebendo no Vaticano os participantes de um Congresso promovido pelo PPE, o Papa considerou que “com o vosso apoio, a herança cristã pode contribuir de forma significativa para a derrota de uma cultura que já está largamente espalhada pela Europa e que relega a manifestação da convicção religiosa para a esfera do privado e do subjectivo”. “É preciso reconhecer que alguma intolerância secular aparece como inimiga da tolerância e de uma justa visão secular do Estado e da sociedade”, apontou. Para Bento XVI, a Europa deve perceber que as intervenções de Igrejas ou comunidades eclesiais no debate público “não constituem formas de intolerância ou interferências, dado que essas intervenções se destinam a iluminar as consciências”. A recusa dessas intervenções pode mesmo, alertou, ameaçar "a própria democracia, cuja força depende dos valores que promove". Em relação ao momento actual da Europa, Bento XVI lembra que os Papas sempre acompanharam com grande atenção a vida do Velho Continente, “cuja identidade foi forjada com a particular contribuição da herança cristã”. A ausência de uma referência a essas raízes no preâmbulo do Tratado Constitucional Europeu mereceu uma forte oposição do Vaticano, que a considera um erro histórico. Para o Papa, essa herança cristã “oferece orientações éticas na busca de um modelo social europeu que responda de forma adequada às necessidades de uma economia globalizada e às mudanças demográficas”, assegurando crescimento económico, emprego, protecção à família, igualdade de oportunidades e solicitude pelos pobres. O Papa lembrou ainda três princípios “não negociáveis” para a Igreja: a protecção da vida, a defesa da família e o direito dos pais a educar os seus filhos.


Bento XVI